São Paulo A despeito da maioria das apostas do mercado de que o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) elevará a taxa Selic na reunião que começou ontem, o coordenador de análises econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros, questiona a eficácia da medida neste momento, considerando o atual quadro de desaceleração econômica e de retração da demanda. ''O processo inflacionário que vivemos decorre da alta prolongada do dólar. Acho que a medida seria ineficaz.'' Ele descartou também a hipótese de haver uma elevação mais significativa do juro, o que complicaria o cenário para o próximo governo.
Quadros acredita que uma alta de 0,5 ou 1 ponto porcentual tampouco seria suficiente para mexer com as expectativas do mercado, que já projeta um Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 9,81% em 2003. ''A alta de 3 pontos da última reunião não produziu queda de inflação e nem mexeu com as expectativas. Na época, o BC reagiu de forma a não deixar a taxa de juro real muito pequena ou até negativa, o que poderia resultar em incentivo ao consumo e outras consequências'', afirmou.
Na opinião do economista, a autoridade monetária tem limitações para reverter esse sentimento em relação à inflação. ''Cerca de 1/3 do IPCA é composto por preços administrados que sofrerão reajustes maiores no ano que vem, a não ser que haja mudanças na sua composição. Então, as expectativas embutem essa percepção de que os preços serão corrigidos'', observou.

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