A crise imobiliária americana já deu seus primeiros sinais concretos neste ultimo final de semana. O Federal Reserve (Banco Central Americano), salvou o banco privado Bear Stearns de ir à falência. Especialistas acreditam que o Brasil não tem fundamentos suficientes para suportar a fuga de quase US$ 1 trilhão de dólares de investimentos especulativos no país, caso o mercado americano não se estabilize.
Em face da tempestade econômica que se avizinha, saber quais os melhores investimentos e o que fazer com o dinheiro passa a ser a preocupação central de investidores, empresários e donas-de-casa. Especialista em administração de finanças corporativas e finanças pessoais, o economista Charles Vezzozo, de Londrina, dá algumas dicas.
Correntistas
Em tempos não muitos distantes, o Brasil assistiu uma corrida desenfreada às agências bancárias diante da boataria de crise econômica, retiradas em massa de dinheiro de aplicações, desvalorização da moeda, hiperinflação. ''Hoje o Banco Central brasileiro oferece proteção para os correntistas'', tranquiliza Vezzozo. Ele pondera que a economia brasileira acompanha de perto todas as movimentações interbancárias, intervindo ''imediatamente'', caso um banco não tenha condições de honrar com os seus compromissos. ''O Banco Central pega no início qualquer crise'', garante.
Poupança
Apesar da rentabilidade baixa, é um investimento ''protegido'' pelo governo. Vezozzo lembra que na época do Plano Collor, entretanto, a poupança não foi respeitada. Ele avalia que o atual governo tem tido uma atitude séria em relação aos pequenos poupadores. ''Não acredito que o governo faça algo errado em relação a poupança'', declara.
Bolsa de Valores
Antes de falar de investimentos em papéis de empresas, Vezozzo orienta que ''nenhum movimento brusco de aplicações em papéis deve ser feito em momento de crise''. Outra dica, é o investidor saber qual seu ''perfil'' na hora de comprar e vender papéis. ''Se for uma pessoa que não tenha calma diante dos altos e baixos das aplicações, deve procurar outras formas de aplicar seu dinheiro'', assevera. Num primeiro passo, o investidor deve comprar ações de longo prazo - três anos, de empresas sólidas no mercado, sempre com orientação de operadoras que atuam na Bolsa de Valores.
Empresas
Vezzozo, que também é consultor financeiro de empresas, orienta o empresariado a só investir levando em conta suas necessidades internas, além do contexto econômico nacional e internacional. ''A empresa precisa levar em consideração suas necessidades internas. Às vezes a empresa precisa investir em máquinas e pessoal porque está crescendo. O importante é só investir avaliando os riscos de maneira calculada'', norteia.
Rentabilidade
A capacidade de vender qualquer ativo, por exemplo, como o automóvel, para transformar em dinheiro (liquidez) também pode se mostrar um bom negócio em momentos de dinheiro curto, provocados por situações de crise econômica. Para quem tem seu dinheiro e não quer investir na rede bancária, outra dica é comprar ativos para, caso necessário, vendê-los rapidamente. Vezzozo aponta o carro como um dos possíveis investimentos, com liquidez rápida, caso seja necessário se desfazer do bem.
Imóveis
Comprar apartamentos e terrenos pode ser outra saída, desde que esses sejam bem localizados para pronta liquidez. Vezozzo exemplifica ao falar de um apartamento comprado por R$ 200 mil reais, bem localizado, para alugar por R$ 800,00 reais. ''O proprietário do imóvel chega a ganhar menos que 0,5% com o aluguel ao mês, enquanto um investimento no mercado financeiro pode chegar a quase 1% com a mesma quantia'', compara.

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