Economista cobra ação de empresas contra a pobreza
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quarta-feira, 20 de dezembro de 2006
Andrea Vialli<br> Agência Estado 
São Paulo - Um dos economistas mais influentes da atualidade, o americano Jeffrey Sachs, da Universidade de Columbia, desafiou, em recente visita ao Brasil, as grandes corporações a se engajarem na luta contra a pobreza. Segundo Sachs, as empresas devem ir além de seu papel tradicional - criar empregos e pagar impostos - e usar seu know-how na área de negócios para levar desenvolvimento às comunidades mais pobres.
''A extrema pobreza mata 20 mil pessoas por dia, e não há razão para que isso continue a acontecer'', disse Sachs, que esteve no Brasil na semana passada e falou para uma platéia de 30 empresários no consulado americano, em São Paulo. O economista apresentou algumas das idéias do seu recente livro ''O Fim da Pobreza'', onde defende a globalização para impulsionar o desenvolvimento.
Sachs é incisivo em relação a empresas das áreas de tecnologia da informação e farmacêuticas - que, segundo ele, devem fazer mais do que já fazem atualmente para sanar problemas como a falta de acesso às novas tecnologias entre os mais pobres e a existência de doenças que ainda matam muito, apesar de terem tratamento há tempos, como a malária. ''A tecnologia dessas empresas pode ser usada nesses bolsões de pobreza'', diz. ''Mesmo nos lugares mais remotos, há tecnologia para triplicar a produção de alimentos, tornar a água potável e tratar doenças, e nisso as empresas podem contribuir.'' Ele sustenta que o custo disso, para as empresas, seria ''marginal''.
Há 20 anos o economista estuda as razões da pobreza e já trabalhou em mais de 100 países, entre eles Bolívia, Índia e África do Sul. No caso do Brasil, Sachs diz que é preciso mais investimento em educação e capacitação tecnológica. ''Será que as grandes empresas instaladas no Brasil estão oferecendo bolsas de estudo e oportunidades de trabalho para os jovens pobres?'', questiona. ''As empresas têm esse papel de transformação.'' Ele cita o exemplo da Índia, que está conseguindo crescer perto de 10% com o investimento na formação dos jovens nas áreas de tecnologia.


