São Paulo O governo deve fazer um grande esforço para evitar a próxima etapa do processo inflacionário, que é a indexação de preços. O alerta é de José Júlio Senna, ex-diretor do Banco Central e sócio diretor da MCM Consultores. Desde outubro de 2002 a inflação está na etapa da contaminação dos preços, o que é preocupante: ''De alguma maneira, o público está captando no ar que essa política não é permanente. Não é bom que seja assim.''
Quanto mais está política estiver enraizada, mais fácil será superar essa dificuldade atual'', disse. Segundo ele, o governo, como um todo, deveria dar ''um sinal um pouco mais firme'' de que a atual política será permanente, eliminando o temor de que a política é transitória. ''É preciso um pouco mais de convicção de que a política será mantida'', afirmou Senna. Isso, de acordo com ele, deve ser feito basicamente através da uniformidade do discurso dos integrantes do governo, com a reversão de sinais dúbios.
Nesse sentido, ele disse que o governo não pode ''se encabular'' de fazer uma política de alta de juros. Hoje, segundo Senna, o grande problema a ser enfrentado é a formação das expectativas inflacionárias. Apesar da queda do risco País, que baixou de 2.500pb para 1.100pb, o câmbio cedeu pouco no mesmo período. ''O comportamento do dólar é mais tímido porque as expectativas inflacionárias pioraram'', disse.
O movimento de alta de preços (corretivo ou antecipatório), desta forma, não está acompanhando o câmbio, mas a expectativa de alta dos preços. ''Seria importante, pelo menos, uma estabilização do comportamento da expectativa de inflação para posterior reversão'', disse Senna. O ex-diretor do BC, no entanto, descarta a adoção de uma política cambial mais intervencionista, para puxar as cotações para baixo. ''Intervenções devem acontecer em caráter muito esporádico. No ano passado, intervenções maciças não impediram a depreciação da taxa de câmbio'', ponderou Senna.

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