O risco de uma nova rodada de ataques especulativos ao real e, por consequência, de outra puxada dos juros, deve se acentuar no terceiro trimestre do ano, principalmente em outubro, no período eleitoral. A previsão é do economista-chefe do ING Barings para as Américas, Arturo Porzecanski, ao afirmar que o período abrirá espaço para especulações de investidores nacionais e internacionais em torno de uma desvalorização do real em 1999, pela equipe econômica do governo eleito.
O combate aos efeitos negativos vindos da Ásia, através da elevação dos juros e do lançamento do pacote fiscal, levaram o ING a reduzir as estimativas iniciais de crescimento do PIB do Brasil de 3,5% para 1,2% este ano. A inflação e déficit em conta corrente também foram revistos para baixo: de 4,5% para 3,5%, ou de US$ 41 bilhões para US$ 31 bilhões, pela ordem. ‘‘Essas projeções são baseadas na expectativa de que os juros domésticos vão ser reduzidos durante o primeiro semestre de 1998, assim que as medidas fiscais começarem a surtir efeito’’, afirma Porzecanski.
Apesar das turbulências vindas da Ásia terem afetado praticamente todos os mercados financeiros do mundo, o único país cujas perspectivas macroeconômicas ficaram sob ameaça é o Brasil, avalia Porzecanski.
Na avaliação do economista, demais países da América Latina não parecem estar correndo tantos riscos quanto o Brasil, graças ao enfraquecimento modesto de suas moedas e à manutenção da confiança dos investidores nos fundamentos locais. O PIB da região, afirma, deve apresentar crescimento de 3,75% este ano, contra a estimativa inicial de 4,75%, pelo impacto provocado pela desaceleração da atividade econômica do Brasil.
A instituição considera que México e Argentina, principalmente, deverão apresentar expansões menores este ano na comparação com 1997, devido à provável desaceleração de seus principais parceiros econômicos (EUA e Brasil). ‘‘Nossa projeção também considera que países como Venezuela e Colômbia, em processo de recuperação da recessão interna de 1996, não sofrerão dificuldades em 1998’’, afirma.
Apesar de traçar um cenário moderadamente otimista para a América Latina em 1998, Porzecanski afirma que a reabertura do mercado de capitais mundial para os títulos da região terá um contraponto negativo, qual seja provocar um recorde no déficit em conta corrente latino-americano. ‘‘Esse número deve chegar a US$ 70 bilhões este ano, abaixo de nossa estimativa inicial de US$ 80 bilhões mas acima do déficit atual de US$ 60 bilhões registrado em 1997’’, avalia.

mockup