Brasília - A política de crédito popular e a abertura de contas bancárias simplificadas está provocando uma ''transformação silenciosa'' na economia brasileira, segundo o ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Ontem, ao inaugurar a integração de caixas eletrônicos do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, ele disse que aquela ação era parte de um processo que está tendo impacto na vida financeira das famílias.
Segundo ele, desde 2003 já foram abertas 4 milhões de contas simplificadas em bancos públicos e privados. ''Alguns analistas já percebem que o crédito consignado e outras medidas são uma transformação no mercado de crédito; uns ainda não perceberam e vão perceber com o tempo'', previu o ministro.
Alguns economistas têm alertado que essa política de crédito direcionado tem aumentado excessivamente a liquidez da economia, estimulando as compras, e forçando o Banco Central a aumentar os juros acima do que seria necessária se eles não existissem.
Alheio a essas críticas, Palocci avalia que esses mecanismos estão ajudando o País a conseguir um desenvolvimento que se estende às camadas mais pobres da população, o que não ocorreu em processos semelhantes no passado. ''O Brasil já cresceu a taxas fortes em outros períodos, mas teve muita dificuldade de construir instrumentos de inclusão e de acesso. Teve muita dificuldade em fazer com que o crescimento beneficiasse ao conjunto das famílias, e não apenas a uma parcela das famílias. Isso é o que há de novo e importante no processo atual'', afirmou Palocci.
Ele destacou também os financiamentos do Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf), que dobrou o número de empréstimos e o volume de recursos para os pequenos produtores. Também exaltou o reforço dado ao sistema habitacional. ''Novas regras estão disponíveis para o sistema na construção civil e o setor que vinha de duas décadas de queda pôde, no ano passado, ter o primeiro de respiro e de crescimento''.
O ministro disse que a economia continua seu processo de fortalecimento, com o investimento superando em três vezes a renda, a redução do risco-país e o melhoramento do perfil da dívida pública. ''Continuamos fortalecendo a musculatura da nossa economia, tanto no que diz respeito aos aspectos dos fundamentos econômicos quanto à vida das empresas, que é por onde se realiza o processo de desenvolvimento sustentado''.
O desafio brasileiro, segundo Palocci, é garantir a sustentabilidade desse crescimento, evitando a repetição das acelerações e freadas do passado. Em sua opinião, o Brasil pode tornar-se uma nação rica e forte com o aumento da renda das famílias, mesmo neste cenário de competição internacional. ''Não é exagero. Quem conhece o comércio do Brasil com o exterior, as condições de competitividade do produto brasileiro com o produto dos demais países percebe que o Brasil é um país vocacionado a ser um dos principais países do mundo''.
Mas o ministro repetiu o habitual alerta de que esse resultado só será atingido com paciência para fazer as ''coisas certas'', e com o apoio de toda a sociedade. ''Esse objetivo não será alcançado num passe de mágica ou com uma política miraculosa, mas com uma política persistente'', afirmou.

mockup