O crescimento de 7% do Produto Interno Bruto (PIB) observado no terceiro trimestre deste ano em comparação ao mesmo período do ano passado não terá sustentação nos próximos meses, segundo o ministro da Fazenda, Pedro Malan. Além deste crescimento estar influenciado pelo fraco desempenho do terceiro trimestre de 1995, a equipe econômica conta com ‘‘uma acomodação natural do consumo’’, de acordo com Malan. O ministro também afirmou que o déficit de US$ 1,2 bilhão na balança comercial de outubro não é uma tendência e as importações de novembro serão inferiores aos US$ 5,49 bilhões observados no mês passado.
O ministro disse ontem que não crê na necessidade de adotar medidas de restrição à demanda. ‘‘Esse nível de crescimento não terá sustentação, até porque a população e as instituições financeiras aprenderam com a experiência passada’’, acrescentou o ministro, referindo-se aos altos índices de inadimplência observados no segundo trimestre de 1995. De acordo com Malan, a economia cresceu 3,6% entre o terceiro e o segundo trimestre deste ano e 2,4% no acumulado dos nove primeiros meses de 1996 frente ao mesmo período do ano passado. Malan usou estas taxas menores de crescimento para justificar que a taxa de 7% não será sustentada nos próximos meses. ‘‘Para o ano que vem, a taxa de crescimento do PIB deve ficar entre 4% e 5%’’, disse ele. Para a inflação, Malan tomou as projeções de institutos e departamentos econômicos de bancos para mostrar que a expectativa é de um índice ‘‘entre 7% e 10%, com média de 8% no ano’’.
Balança Malan disse que o déficit de US$ 1,2 bilhão na balança comercial ficou acima das expectativas do governo, que esperava exportações maiores e importações menores que as registradas no mês passado. Na palestra que fez a executivos das câmaras americanas de toda a América Latina, o ministro disse que a balança comercial dos próximos quatro meses vai mostrar que o dado de outubro não é uma tendência. Ele disse, ainda, que este ano o comércio bilateral do Brasil vai ultrapassar, pela primeira vez, US$ 100 bilhões no ano.
O governo está convencido, afirmou, que as exportações brasileiras vão reagir por conta de mecanismos já adotados ou em estudo. Ele lembrou da isenção do ICMS na exportação de produtos primários e semi-elaborados e da volta do seguro de crédito à exportação.
Fiscal Durante a palestra no encontro das câmaras americanas, Malan disse que o grande desafio para a consolidação do Plano Real é o déficit público, considerando as contas das estatais, Previdência Social, Estados e municípios e do próprio governo federal. O ministro também voltou a defender a idéia de que inflação baixa e crescimento sustentado são compatíveis. O déficit público de 1996 será inferior ao do ano passado (que foi 5% do PIB) e o de 1997 ficará abaixo do ano passado, na expectativa de Malan.

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