Brasília - Mais uma vez o mercado financeiro revisou para baixo suas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2015. A expectativa de retração de 1,76% no Relatório de Mercado Focus foi substituída por uma queda de 1,80% agora. O documento é divulgado pelo Banco Central toda segunda-feira pela manhã. Há um mês, a mediana das previsões estava negativa em 1,50%.
A perspectiva de recuperação da atividade no ano que vem também segue debilitada. Ficou em 0,20% ontem, mesmo número da semana anterior. Um mês antes estava em 0,50%. O BC, apesar de também ter revisado para pior sua projeção, de queda de 0,6% para retração de 1,1%, segue mais otimista que o mercado. No Relatório Trimestral de Inflação de junho, a instituição informou que a mudança ocorreu em função de piora nas perspectivas para a indústria, cuja expectativa de PIB recuou de -2,3% para -3,0%.
Segundo o BC, essa piora foi influenciada por impactos das reduções projetadas para a indústria de transformação, de -3,4% para -6%, e para a produção e distribuição de eletricidade, água e gás, de -1,4% para -5,6%, refletindo cenário de aumento da participação de termoelétricas na oferta de energia e de redução do consumo de água no primeiro trimestre do ano. Para o setor de serviços, a autoridade monetária, que até março via uma ligeira expansão de 0,1% em 2015, passou a projetar queda de 0,8%.
No boletim Focus de ontem, a projeção para a produção industrial, no entanto, foi mantida em baixa de 5,00%. Essa previsão segue estável há três semanas. Quatro edições da pesquisa atrás, a mediana das previsões para o setor fabril era de uma retração de 4,72%. Já para 2016, a mediana das estimativas segue em alta de 1,30% - um mês antes era 1,35%.
Para a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB, a projeção dos analistas é a de que deve encerrar 2015 em 37,00%, como já apontado na semana passada. Em 2016, a projeção é de 38,50%. Há quatro semanas, as medianas das previsões para esse indicador eram de, respectivamente, 37,30% e 38,05%.

INFLAÇÃO
Pela 16ª rodada consecutiva, a perspectiva para a inflação de 2015 foi revisada para pior. A estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano avançou de 9,23% da semana anterior para 9,25% agora. Há um mês, essa projeção estava em 9,04%. No Relatório Trimestral de Inflação de junho, o Banco Central havia apresentado estimativa de 9% no cenário de referência e de 9,1% usando os parâmetros de mercado.
A mediana das projeções para o IPCA de 2016, no entanto, ficou estancada ontem no Boletim Focus. O ponto central da pesquisa permaneceu em 5,40%. Há um mês, estava em 5,45%.
O fim de 2016 é o foco da autoridade monetária neste momento, já que promete entregar a inflação no centro da meta daqui a pouco mais de um ano. Pelos cálculos da instituição revelados no RTI, o IPCA ficará em 4,8% em 2016 no cenário de referência e em 5,1% no de mercado. A luta do BC no momento é tentar convencer o mercado de que chegará ao centro da meta em 2016.
Para a inflação de curto prazo, o IPCA de julho na pesquisa Focus ficou estável em 0,58% de uma semana para outra - ante 0,43% de quatro edições atrás. No caso de agosto, a taxa estimada permaneceu em 0,30% no período. Já as expectativas para a inflação suavizada 12 meses à frente foram reduzidas pela sexta semana seguida e passaram de 5,76% para 5,67%. Há quatro semanas, estavam em 5,92%.

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