Economia terá R$ 3 bi mais com 13º
Economia terá R$ 3 bi mais com 13º
O pagamento do 13º salário deverá injetar na economia cerca R$ 22 bilhões, R$ 3 bilhões a mais do que em 1997, segundo cálculos do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese). Mas essa massa de recursos adicionais não deverá impulsionar de forma significativa as vendas do comércio e da indústria de bens de consumo mais caros neste fim de ano, prevêem os economistas.
O temor de perder o emprego deve fazer com que o consumidor adie as compras de bens duráveis e faça uma poupança maior para resguardar-se dos imprevistos, observa o economista da Universidade de São Paulo (USP), Nelson Barrizzelli, para quem os produtos mais vendidos neste Natal custarão entre R$ 10 e R$ 15.
Além da contenção nos gastos, o 13º salário, mais uma vez, não terá grande impacto no consumo porque parte dos trabalhadores já antecipou o recebimento da primeira parcela por ocasião das férias, lembra o economista, José Maurício Soares, do Dieese. Ele calculou a massa de recursos do 13º levando em conta os 18 milhões de aposentados e pensionistas da Previdência, com ganho médio de R$ 237, acrescidos de 29,7 milhões de trabalhadores com carteira assinada que recebem, em média, R$ 592 mensais. Não foram incluídos nesse cálculo, portanto, os trabalhadores sem carteira assinada e aqueles que exercem alguma atividade por conta própria.
O impacto do 13º deverá ser ainda menor neste ano porque, desde setembro, trabalhadores estão procurando instituições financeiras que oferecem linhas de crédito especiais para embolsar desde já esse salário adicional que só entraria na conta corrente no fim deste mês.
O Unibanco, por exemplo, que a partir de setembro lançou uma linha de crédito para antecipar o 13º dos clientes que recebem os salários creditados em conta corrente, registrou um acréscimo expressivo na procura desses financiamentos em relação a 1997. Os volumes emprestados em setembro e outubro superaram em 30% os realizados entre outubro e novembro do ano passado, afirma o diretor de Coordenação dos Postos de Atendimento do banco, Marcos Cavalcante de Oliveira.
(Agência Estado)





