Economia tem maior
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quarta-feira, 14 de fevereiro de 2001
Agência Folha Do Rio 
A economia brasileira cresceu 4,2% no ano passado, impulsionada pela expansão do setor industrial, de 4,8%. Esse foi o melhor resultado desde 1995, quando o País cresceu 4,22%. Com o resultado, que foi divulgado ontem, a taxa média de crescimento na década de 90 ficou em 2,7%. Foi a segunda pior performance do século, perdendo apenas para a década da 80, quando o país cresceu num ritmo anual de 1,6%. Mas os resultados de 2000 indicam, para a maioria dos analistas, que o Brasil deve inaugurar uma fase de crescimento econômico sustentável.
Para os economistas, o crescimento pelo qual passou o PIB em 2000 não pode ser comparado com os surtos experimentados pela economia brasileira nos primeiros anos do Plano Real. Não temos uma bolha de consumo alimentada pela euforia dos consumidores, a política econômica é mais coerente e deixamos para trás o câmbio fixo, avalia Paulo Levy, economista do Ipea.
A maioria dos analistas faz análise semelhante a de Levy. Do lado dos menos otimistas, está o economista Guido Matega, da FGV (Fundação Getúlio Vargas), que avalia que o crescimento do Brasil é vulnerável por conta dos grandes desequilíbrios externos. Para o economista, a atual cadeia produtiva brasileira é desequilibrada. Quando o País começa a crescer, as importações crescem muito e temos problemas nas contas externas, diz.
Mesmo os mais otimistas, no entanto, não acreditam que a economia brasileira possa, no médio prazo, repetir os resultados alcançados na década de 70, quando o País cresceu à taxas anuais de mais de 8%.
Com o crescimento de 2000, o PIB brasileiro deve chegar a R$ 1 trilhão, estimam alguns especialistas. O IBGE, no entanto, não endossa o número. O instituto só terminará os cálculos do PIB nominal no segundo trimestre deste ano.
No ano passado, a indústria foi o setor que mais cresceu: a taxa de crescimento do PIB industrial, de 4,8%, foi a única que ficou acima do crescimento do PIB. O setor de serviços cresceu 3,6% e a agropecuária, 2,9%.


