Criar uma sociedade mais justa onde o desenvolvimento ocorra a partir do cooperativismo e solidariedade. Essa é a essência da economia solidária que na prática funciona como oposição ao modelo capitalista de produção excludente, cujo principal objetivo é o lucro. Na atualidade, ela surge como uma opção de renda para desempregados ou empregados precários. Mas isso não impede que profissionais especializados muitas vezes descontentes em sua condição possam seguir o mesmo caminho.
Ontem, a Incubadora Tecnológica de Empreendimentos Sociais Sustentados (Intes) e a Pró-reitoria de Extensão (PROEX) realizou o I Seminário de Economia Solidária e Políticas Públicas, na Universidade Estadual de Londrina (UEL). Participaram do encontro Valmor Schiochet, da Secretaria Nacional de Economia Solidária (SENAES), Crispim Moreira, da Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome), Maria Nezilda Culti, coordenadora do Programa Nacional de Economia Solidária da rede Unitrabalho e Maria da Glória Morais, do Instituto de Filosofia da Libertação (Ifil).
Neste tipo de incubadora o empreendimento obterá gratuitamente apoio administrativo, contábil, técnico, gerencial e até psicológico no primeiro ano. ''Passado esse período, vamos continuar auxiliando, mas a idéia é que eles pratiquem a auto-gestão'', frisou a professora Márcia Campos Andrade, que pertence ao núcleo consultivo do Intes. A incubadora de Londrina existe há cinco meses e, no momento, auxilia cinco empreendimentos: três de artesanato, um de reciclagem e outro de confecções, reunindo, em média, cinco pessoas em cada um deles. Segundo Márcia, a estimativa é que a cidade mantenha quase 100 empreendimentos, mas a capacidade de trabalho da incubadora é restrita. ''Nosso plano é aumentar ano a ano o número de beneficiados'', adiantou.
Na opinião de Maria Nezilda, a economia solidária é algo novo que exige muito estudo, pesquisa e extensão e a incubação é o elo de tudo isso. A Unitrabalho é uma fundação sem fins lucrativos, formada por 90 universidades, que estudam e pesquisam o trabalho. Entre suas atribuições está a descoberta e o apoio a novidades em prol dos trabalhadores de norte a sul do Brasil. A economia solidária com desenvolvimento sustentável é um dos programas nacionais mais importantes dessa rede que deve lançar até o final do ano um fundo de financiamento para capital de giro destinado aos empreendimentos de economia solidária.
No momento, a Secretaria Nacional de Economia Solidária e o Forum Brasileiro de Economia Solidária estão rastreando os empreendimentos com o intuito de articular a produção, o consumo, a comercialização, potencializar seu desenvolvimento e visibilidade. A estimativa é que existam mais de 20 mil grupos trabalhando em torno basicamente do artesanato, confecção, reciclagem e agroindústria.
Quem quiser obter mais informações sobre o assunto pode consultar o site: www.unitrabalho.org.br ou contatar o Intes pelo telefone: (43) 3321-8145.

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