A saúde da economia brasileira está forte como nunca se viu. A queda na taxa de desemprego, o crescimento percentual no Produto Interno Bruto (PIB) per capita e a meta inflacionária dentro do estipulado pelo Banco Central (BC) estão fazendo com que o Risco Brasil (percepção de risco que o investidor tem em relação a investimentos por aqui) venha despencando há sete anos, mostrando que o País é um ótimo lugar para investimentos.
Esse é o cenário macroeconômico visualizado pelo economista Mauro Sayar Ferreira, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e professor convidado da Fundação Dom Cabral (FDC). Ele esteve em Londrina esta semana ministrando um curso da Paex (Parceiros para a Excelência) - braço da FDC - para 18 empresas da região e foi entrevistado pela FOLHA. Sayar comenta sobre as ótimas perspectivas da economia brasileira para próximos 40 anos, independentemente do presidente eleito no dia 3 de outubro.
Segundo o especialista da FDC, essa nova era da economia brasileira começou em 2003. ''Podemos dizer que estamos passando por um dos melhores momentos da história da economia do País. O cenário era de incertezas em 2002, a dívida pública estava elevada e alguns candidatos à presidência da época criticavam a política macroeconômica vigente. Por isso houve grande fuga de capital, desvalorização cambial e inflação elevada no período'', explica Mauro.
Entretanto, o necessário foi realizado. Segundo dados do IBGE, a taxa de desemprego caiu de 13% para 7%, o PIB per capita chegou a uma média anual de 3,5%, aliados a queda da dívida pública e inflação estável. ''O Risco Brasil saiu de 2.039 pontos há oito anos para 205 este ano. O índice capta a percepção de qualidade das políticas monetária e fiscal e reflete o comprometimento da União em relação ao cumprimento de contratos'', relata o especialista.
Mais confiança
Com a queda no risco de calote, a confiança dos investidores para injetar dinheiro no Brasil aumentou, o que permitiu uma ampliação da liberação de crédito (rural, industrial, comercial, pessoa física, etc.) e investimentos em diferentes segmentos. ''A produção industrial, as vendas no varejo e a massa salarial cresceram muito nos últimos anos. Do ponto de vista da solidez da economia e massa de consumidor, certamente é um bom momento para os empresários investirem. É claro que há outros fatores envolvidos, que vão depender do 'feeling' do empreendedor'' aponta Sayar.
O economista ressalta ainda que para a economia brasileira continuar nesse rumo, o próximo governo deve se atentar a três pontos chaves: manter a autonomia do BC em relação ao sistema de metas inflacionárias, não alterar a política cambial e continuar gerando superavits primários elevados para que a dívida pública caia. ''Coisas absurdas estão fora de cogitação na economia brasileira. Esses pontos devem ser intocáveis'', sentencia.
Caso essa política macroeconômica seja mantida, algumas hipóteses otimistas são levantadas pelo professor para as próximas quatro décadas. A renda per capita pode subir de US$ 10 mil para US$ 55,4 mil em 2050. ''Também teremos reformas estruturais em ritmo lento, mas com avanços pontuais, além de uma melhoria na qualidade da educação básica'', completa Mauro.

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