Cortar ou reduzir despesas, fugir do financiamento e, se possível, fazer uma reserva financeira. Essas são as orientações de Marcos Silvestre, da Forex - Centro Brasileiro de Finanças Pessoais, para quem não quiser perder o controle do orçamento, se confirmados a expectativa de alta da inflação e o aprofundamento da recessão nos próximos meses.
Silvestre ressalta que a alta da inflação não será na mesma medida da desvalorização do real. Mas a desvalorização terá reflexos nos preços dos produtos importados e daqueles que utilizam matérias-primas vindas de fora, como os de limpeza e de higiene pessoal. Por isso, sua expectativa de inflação para este ano varia de 4% a 10%. Silvestre lembra que os salários não incorporarão essa variação, uma vez que estão desindexados. Para manter o equilíbrio financeiro, a ordem é cortar os gastos.
O economista lembra que há aquelas despesas que não têm como ser reduzidas, como o financiamento da casa própria, a prestação do plano de saúde e a mensalidade escolar. Mas há outras que podem ser diminuídas ou mesmo eliminadas imediatamente, como a compra de produtos estrangeiros, como azeite e uísque .
Existem ainda os gastos que podem ser evitados, lembra Vera Marta Junqueira, diretora de Estudos e Pesquisas do Procon de São Paulo. Vera diz que o consumidor deve procurar pagar suas contas em dia, para evitar desembolsos com multas e juros. Para isso, é preciso adequar a data de pagamento das contas ao dia em que está prevista a entrada do dinheiro, como o recebimento do salário, por exemplo.
Se o corte de despesas é importante, maior ainda deve ser o cuidado com o cheque especial e o cartão de crédito, por causa das altas taxas de juros, alertam os economistas. No cheque especial, os juros chegam a 12% ao mês. Segundo Vera, com as taxas nesse nível, o risco de o consumidor perder o controle de suas finanças é grande. ‘‘Nesse caso, é melhor obter um crédito pessoal, com juro prefixado de 7% ao mês, do que ficar devendo no cheque especial.’’
No cartão de crédito, as compras devem ser feitas prevendo o pagamento da fatura à vista. O consumidor deve evitar o financiamento de suas compras, diz Vera.

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