O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma espécie de sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB), teve retração de 1,4% em maio perante abril, de acordo com dados sem a influência sazonal. A informação foi divulgada ontem pelo Banco Central. Analistas de mercado esperavam uma queda de 0,90%. O IBC-Br mostrou alta de 2,28% em maio na comparação com igual período do ano passado, na série sem ajuste. Considerando a sazonalidade, foi verificado avanço de 2,61%. No ano, o índice tem variação positiva de 3,01%. Nós últimos 12 meses, sobe 1,74%, ambos sem ajustes.
O economista e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Marcelo Curado, disse que a queda registrada no IBC-Br demonstra que a previsão do PIB para este ano está cada vez mais retraída. "Está se formando um consenso que o PIB não vai ficar próximo do que se previa no início do ano." Ele acredita que 2013 será mais um ano de baixo crescimento do governo Dilma Rousseff e com tendência de inflação acima do teto da meta (6,5%). Curado alega que, com o PIB caindo, a inflação também deveria cair.
Para ele, o principal motivo para a queda do PIB é que o modelo de crescimento puxado pelo consumo durante a "era Lula" chegou à sua exaustão e está sendo incapaz de manter o crescimento. Curado acredita que o País só crescerá com aumento de investimentos e da produtividade. Ele prevê que não há como mudar o cenário de crescimento do PIB para este ano. "O resultado do PIB esperado para este ano é considerado lamentável", disse.
Para o presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Gilmar Mendes Lourenço, o ano de 2013 está "perdido do ponto de vista econômico''. Segundo ele, o resultado do IBC-Br confirma que a economia está em rota de desaceleração. Lourenço diz que os principais motivos que levaram a isso foram as medidas econômicas que o governo adotou, que não surtiram efeito, e a capacidade de endividamento da população, que está esgotada. Além disso, a inflação deteriorou a renda do consumidor e, com isso, o consumo retraiu mais que o esperado.
O presidente do Ipardes prevê que o cenário para os próximos meses é "bem negativo". Ele diz que, com o BC aumentando os juros, a tendência é de mais queda dos investimentos e do consumo. Além disso, Lourenço ressalta que o mercado internacional continua retraído e o quadro econômico não é nada bom para o segundo semestre.
Ele lembra que a projeção para o crescimento do PIB no começo do ano era de 3% a 3,5%. Mas o PIB deve crescer no máximo 2%, graças à safra recorde. E a inflação deve abrandar um pouco, mas vai ficar perto do teto da meta de 6,5%. "É uma derrota para o governo''. Para Lourenço, a política econômica não está atingindo seus objetivos porque está centrada no consumo e não nos investimentos.
Nos últimos três anos, o PIB cresceu 2% ao ano, em média. Segundo ele, a estimativa está igual à da década de 1980, que foi considerado um período perdido para a economia. (Com Folhapress)

Imagem ilustrativa da imagem Economia retrai 1,4% em maio, segundo BC
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