O ministro Pedro Malan (Fazenda) disse onte, que a economia brasileira começará a se recuperar já na segunda metade do ano que vem, apesar dos próximos meses de dificuldade pela frente. A queda de 1% esperada na economia brasileira, para 99, afirmou Malan, não é o objetivo do governo, mas é um cenário muito melhor do que aquele que afetará países como a Indonésia, a Coréia, a Tailândia e a Rússia, completou.
‘‘O PIB (Produto Interno Bruto) da Indonésia deve cair 16% este ano, será zero para muitos países e ainda positivo para o Brasil’’, disse o ministro. Em entrevista concedida a jornalistas brasileiros e estrangeiros, em Londres, ontem, Malan disse estar otimista quanto à gradual retomada da confiança dos credores no País, após vários encontros com investidores e autoridades estrangeiras.
‘‘Seria ingenuidade achar que depois de uma exposição para 400 investidores fosse haver uma explosão de crédito para o país’’, disse. ‘‘Mas haverá uma retomada gradual’’ .
Malan enfatizou que o Brasil não vive uma crise, como outros países asiáticos ou a Rússia, mas trabalha para impedir que uma aconteça. Destacou que uma comissão de empresários holandeses não estaria acompanhando a visita do primeiro-ministro da Holanda hoje ao País, se as perspectivas de investimentos no Brasil fossem totalmente inviáveis.
A trajetória dos juros brasileiros, segundo Malan, é pergunta recorrente, não só da imprensa, mas também dos investidores. ‘‘Todos querem saber, mas nenhum ministro das Finanças de país algum adianta essas decisões , disse, depois de afirmar que a tendência dos juros é de queda.
O ministro informou ainda que 70% do esforço fiscal do programa recém-anunciado já estão garantidos para o próximo ano. Resumiu as principais mudanças na economia brasileira introduzidas pelo Plano Real, quando questionado por um jornalista estrangeiro sobre o assunto, afirmando que o desemprego, ‘‘uma situação terrível’’, não é a realidade da maioria da população. ‘‘São custos de qualquer estruturação econômica’’, afirmou. E voltou a dizer que o governo brasileiro espera que toda decisão de abertura de linhas de crédito do setor privado para o País seja feita voluntariamente.
Malan encerrou seus encontros com a comunidade financeira internacional ontem, em Londres, depois de passar por Nova Iorque, Frankfurt e Paris.Sinead LynchContatos internacionaisO ministro Pedro Malan (dir.) com o chanceler britânico Gordon Brown, no último dia da viagem à EuropaAgência Folha

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