Economia poderia ter crescido mais
PUBLICAÇÃO
domingo, 16 de dezembro de 2007
Carlos Marchi<br>Agência Estado 
São Paulo - A imensa maioria dos brasileiros acredita que a economia poderia ter crescido mais nos últimos anos, revela pesquisa Estado/Ipsos. Segundo a pesquisa, 80% dos brasileiros entendem que o País poderia ter crescido mais e somente 14% entendem que a economia ''está crescendo como deveria''. O crescimento alcançado em 2006 - 3,7% - não satisfez a maioria: 58% das pessoas afirmam que esse crescimento ''não melhorou a sua vida e a da sua família'', enquanto apenas 36% admitiram que sua vida foi positivamente afetada.
Para 2008, as expectativas se dividem: 41% acreditam que o crescimento vai continuar no mesmo nível dos últimos anos, enquanto 37% crêem nas palavras do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que prometeu um crescimento maior, e 14% acham que o crescimento da economia será menor do que em 2007. De uma forma geral, os brasileiros aprovam a administração Lula e têm boas expectativas para 2008, mas nesse pacote não está o crescimento da economia.
Assim, 38% das pessoas acham que o crescimento no nível de 2007 é ''bom'', enquanto 14% acham ''ruim'', 33% reputam ''razoável'' e 6% entendem que é ''péssimo''. O sentimento mais crítico está nas classes A/B (na qual apenas 8% acham que a economia ''está crescendo como deveria'', ao contrário das classes D/E, na qual esse grupo atinge os 17%).
Mas a mesma pesquisa mostra que o senso crítico dos brasileiros é relativizado por um grande desconhecimento de números sobre crescimento econômico: 37% avalizam a frase ''o Brasil foi o País que mais cresceu nos últimos dez anos entre os países emergentes'' (o que não é verdadeiro). Outros 31% acatam a frase ''o crescimento do Brasil está acima da média dos países emergentes'' (na verdade, está abaixo). E, por fim, 16% acreditam na frase ''o Brasil tem crescido quase tanto quanto a China'' (a China tem crescido muito mais que o Brasil).
Para os brasileiros, o maior erro dos responsáveis pela direção da economia brasileira hoje é o excesso da carga tributária. As pessoas se mostraram pouco preocupadas com o nível dos juros: apenas 7% disseram entender que o governo está baixando os juros ''muito devagar''; mas 49% afirmam que o nível dos impostos está ''muito alto''. Uma faixa um pouco menor, 39%, acredita que o governo está ''gastando muito''.
No mês de dezembro, o Pulso Brasil, termômetro do sentimento popular medido pela Ipsos, dividiu ao meio a percepção da população sobre os rumos do País: 50% acharam que o Brasil está no rumo certo e 50% expressaram que o País está no rumo errado. No entanto, quando a avaliação recai sobre a figura do presidente Lula, os números ficam mais favoráveis: 49% pensam que sua administração está sendo ótima ou boa; 33%, que está sendo razoável; e os mesmos 17% medidos nos últimos três meses, que é ruim ou péssima.
A medição dos atributos do presidente Lula revelou disparidades. O conceito ''é gente como a gente'' foi avalizado por 74% dos brasileiros; o conceito ''entende os problemas dos pobres'' foi acatado por 73%; mas o conceito ''tem passado a limpo'' teve a adesão de 55%. Os brasileiros, em geral, revelam alto grau de confiança nas qualidades administrativas de Lula: para 69%, ele ''tem experiência administrativa''; para 68%, ''tem preparo para ocupar o cargo''; e para 59%, ''tem pulso forte, é decidido''.


