São Paulo - O aperto dos juros pode custar ao País até 1 ponto porcentual de crescimento, o que representaria perda de R$ 16 bilhões, considerando o Produto Interno Bruto (PIB) de 2004. Segundo economistas consultados pela Agência Estado, a elevação da taxa básica Selic - desde setembro ela subiu 2,25 pontos porcentuais e pode subir mais 1 ponto até março - reduz as expectativas de crescimento da economia em 2005. Grande parte dos economistas apostava em aumento de 4% no PIB. Agora, muitos estão prevendo 3% ou 3,5%.
Parte dos analistas esperava que o Banco Central parasse de elevar os juros em dezembro, quando a taxa estava em 17,75%. Mas o Comitê de Política Monetária (Copom) voltou a elevar a Selic no mês passado, para 18,25%, e sinalizou em sua ata que as elevações vão continuar. ''Achávamos que o País ia crescer 4% em 2005, o que seria um resultado muito positivo, dado que o ano anterior, 2004, foi muito forte'', diz Luiz Guilherme Piva, economista-chefe da Trevisan. ''Mas, com a elevação inesperada dos juros em janeiro e a sinalização de que continuarão subindo, estamos revendo nossas projeções para baixo.''
Economistas, técnicos e diretores do Banco Central tentam decifrar os números e verificar se a economia vai continuar crescendo, se o aperto foi correto a ponto de conter a inflação sem sufocar o PIB ou se já exageraram na elevação dos juros.
Para Rogério Mori, professor da Escola de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a elevação dos juros foi ''desnecessária'' e atinge os dois vetores de crescimento da economia. Em 2004, segundo Mori, o Brasil cresceu por dois motivos: expansão do crédito e exportações. Os juros altos ameaçam essas duas fontes de crescimento, diz.
A expansão do crédito começou com a queda de juros iniciada em 2003 e aqueceu principalmente a venda de bens duráveis e os investimentos. Daqui para frente, o ciclo de altas da Selic deve restringir o crédito e encurtar os prazos, atingindo essa fonte de crescimento.

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