Economia paranaense recua de março a maio
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sexta-feira, 19 de agosto de 2011
Nelson Bortolin <br> Reportagem local 
O Paraná foi o único entre oito estados pesquisados a apresentar um Índice de Atividade Econômica Regional (IBCR) negativo no trimestre de março a maio deste ano. O recuo foi de 0,5%, de acordo com o Boletim Regional divulgado ontem pelo Banco Central (BC). A região Sul, como um todo, também apresentou uma leve retração, de 0,1%.
Apesar disso, no acumulado de 12 meses, a atividae econômica paranaense segue com bom desempenho, com crescimento de 7,3%, bem acima da do Rio Grande do Sul (5,2%) e do Rio de Janeiro (5,5%).
Segundo o BC, a indústria foi a responsável pelo índice negativo do Paraná naquele trimestre. O recuo da produção industrial foi de 2,2%. No levantamento anterior, referente ao período de dezembro a fevereiro, o setor havia crescido 4,4%.
O relatório aponta, no entanto, que a maioria das atividades industriais pesquisadas registrou resultados positivos. A de máquinas e equipamentos, por exemplo, teve expansão de 9,2% e a de veículos automotores, de 5,7%. O recuo mais expressivo, de acordo com o BC, foi verificado na indústria de edição e impressão (-48,5%).
Quando se analisa os últimos 12 meses, a indústria paranaense registra um crescimento de 8,3%. Mas, a comparação com os trimestres anteriores revelam a desaceleração da atividade. A indústria havia crescido 15,3% no índice de fevereiro, e 16,5% no de novembro de 2010.
Ao contrário da indústria, o comércio varejista do Estado cresceu mais no último trimestre divulgado (março/maio). As vendas aumentaram 1,6% contra 0,8% do trimestre anterior. Os destaques são para os supermercados e para os móveis e eletrodomésticos, cujas vendas aumentaram 3% e 2,4% respectivamente. Os dois setores representam 50% da atividade varejista no Estado.
O Boletim Regional também traz informações sobre a inadimplência que atingiu 2,7% no Paraná em maio. E sobre os empregos, que cresceram 1,3% no período.
''A retração da atividade econômica no Paraná, registrada no trimestre encerrado em maio, refletiu principalmente o comportamento da produção industrial, resultante, em parte, de ajuste de estoque'', diz o documento. O relatório afirma também que o crescimento do comércio varejista e o ''aumento da renda agrícola criam perspectivas favoráveis'' para a economia do Estado nos próximos meses.
Para Júlio Suzuki, diretor de Pesquisa do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), é difícil ''delinear a tendência'' da economia analisando apenas os números de um trimestre. Mesmo assim, segundo ele, os dados indicam que a atividade no Paraná, assim como em todo o Brasil, está desacelerando.
''Não é nenhuma surpresa tendo em vista a política de juros adotada pelo governo para conter a inflação'', ressalta. Ele considera que a retração na indústria do Estado está relacionada com a questão cambial (dólar baixo). ''O barateamento dos produtos importados muda o padrão concorrencial'', analisa.


