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Londrina

Economia para principiantes

m de leitura Atualizado em 10/06/2021, 15:49

Maioria dos jovens já usa mais bancos digitais do que tradicionais

Maior facilidade com tecnologia, hábitos e protocolos do isolamento social consolidaram uso das fintechs entre público entre 16 e 24 anos

PUBLICAÇÃO
terça-feira, 18 de maio de 2021

Débora Mantovani - Estagiária*
AUTOR autor do artigo

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|  Foto: Gustavo Carneiro
 

Mais da metade dos brasileiros entre 16 e 24 anos (51%) usam mais os bancos digitais do que as instituições tradicionais para as operações do dia a dia, de acordo com pesquisa do Ipec (Inteligência em Pesquisa e Consultoria) feita em abril. “Acho que as pessoas da minha geração parecem ter menos paciência com burocracias, como passar algumas horas com um agente bancário para abrir uma conta, por exemplo, que, com a tecnologia de hoje, parecem desnecessárias”, conta a estudante Giovana Giannini, de 23 anos. “Quando abri conta num banco digital eu tinha 20 anos e ainda era bastante tímida, mas acima de tudo familiarizada com tecnologia e acostumada a fazer quase tudo pelo celular ou computador”, revela.  

Os aplicativos de bancos digitais para celular trazem uma linguagem mais descontraída e formatos semelhantes aos das redes sociais. A estudante Bruna Miyuki, de 21 anos, acredita que o objetivo dessa maior informalidade é aproximar o público jovem dos bancos. “Tenho a impressão de que o marketing da empresa também emprega o discurso de proximidade com o cliente e facilidade na gestão da conta, informando sobre a ausência de burocracia e de taxas”, avalia. “Na minha opinião, parece um banco que tem o propósito de construir uma imagem de ‘descontraído’ e ‘fácil’, acho que isso atrai o público jovem que muitas vezes busca fugir da burocracia e das desvantagens dos bancos tradicionais”, afirma. 

“De início, escolhi um banco digital pela ausência de taxas sobre a manutenção da conta e a maioria dos serviços oferecidos. Como minha renda mensal não é alta, considero que essa ausência de taxas é uma vantagem em relação aos bancos tradicionais para mim”, conta Miyuki. “Outras razões que me atraíram para essa opção foram a facilidade que você tem para abrir e gerenciar a sua conta e a rapidez e eficiência do atendimento ao cliente, além da disponibilidade de informações de forma acessível”, observa.

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Ela diz que, antes de criar a conta, muitas pessoas já lhe haviam recomendado o banco digital. “Além disso, recebi uma carta desse banco no início da pandemia. Não sei, inclusive, como eles tinham meu endereço, porque eu nunca tinha me cadastrado em nada. Eu criei a conta mais por causa da pandemia, pois precisava de um cartão para facilitar algumas transações e a facilidade de não precisar sair de casa foi uma vantagem”, pontua. Giannini lembra que conheceu o banco pela internet. “A fundação do banco que uso foi bastante veiculada por meio de anúncios e notícias em páginas da internet. Não lembro se houveram comerciais na TV, mas sei que muita gente da minha idade conheceu esse banco quase ao mesmo tempo”, relata. 

Além do apelo ao público jovem, o levantamento do Ipec mostra também que o isolamento social, medida para conter a pandemia de Covid-19, pode ter sido uma das principais causas para o aumento do uso dos bancos digitais: 36% dos consumidores brasileiros abriram conta em bancos digitais somente durante a pandemia. Além disso, 17% dos clientes estão há mais de um ano sem visitar uma agência física.

A estudante Giovana Giannini, que já usava um banco digital quase exclusivamente desde 2018, aponta que não precisou mudar muita coisa em sua relação com o banco durante a pandemia. Para ela, não precisar ir até uma agência já era um atrativo antes. “Além de ser meu primeiro cartão, a ideia de poder tê-lo sem precisar entrar em contato com pessoas ou ir até uma agência era muito interessante, nova. Eu já tinha uma conta num banco tradicional, mas apenas com função de débito e precisava ir à agência algumas vezes”, destaca. A estudante Bruna Miyuki também ressalta a importância que esses bancos adquiriram no contexto da pandemia. “Antes, com o banco tradicional, muitos problemas eu só conseguia resolver indo até a agência, mas com o digital eu posso resolvê-los de casa, o que considero uma grande vantagem durante esse período”, demonstra.  

Além de ajudar a manter o isolamento social, a agilidade do uso do aplicativo ajudou Giannini a convencer a mãe a também aderir à instituição digital. “Como nosso banco agora oferece poupança e função de débito, convenci minha mãe a abrir uma conta para poupar”, descreve. A estudante acredita que, mesmo após a pandemia, ainda pode haver pessoas que prefiram os bancos tradicionais. “As pessoas têm vivências e costumes diferentes, portanto acredito que ainda veremos filas gigantes em agências bancárias por algum tempo. Por outro lado, é muito fácil se acostumar com a comodidade que um banco digital oferece. Depende muito da pessoa”, avalia.

Já para Miyuki, o isolamento social pode ter evidenciado uma opção mais prática, que deve continuar ganhando adeptos, mesmo quando for seguro voltar às agências físicas. “Acredito que mesmo depois da pandemia os bancos digitais vão aumentar o número de clientes e não só entre o público mais jovem. Cada vez mais pessoas têm aderido às contas digitais pelas facilidades e mesmo alguns bancos tradicionais já oferecem opções de contas digitais e aplicativos, acho que essa adaptação é um sinal de novas tendências de consumo e comportamento dos clientes”, analisa. 

*Supervisão: Celso Felizardo, editor de Economia