ECONOMIA NOSSA DE CADA DIA
É preciso reduzir o endividamento do Estado brasileiro
Qualquer um de nós precisa seguir o mais óbvio dos preceitos econômicos controlar suas despesas de modo a não permitir que ultrapassem suas receitas. Caso contrário precisará encontrar formas de financiar essa diferença. Isso é verdade para mim, para você, para as empresas e também para o governo.
Como o governo financia sua dívida
Quando o governo gasta mais do que arrecada, ele pode financiar suas dívidas valendo-se fundamentalmente de três expedientes: a) tomar dinheiro emprestado; b) aumentar os impostos; e c) rodar a maquininha que fabrica dinheiro.
O problema de tomar dinheiro emprestado
O governo pega dinheiro emprestado emitindo títulos. Ou seja, ele pega seu dinheiro emprestado te dando um papel que reconhece a dívida prometendo te pagar um determinado juro como remuneração pelo empréstimo. Acontece que, quanto mais o governo se endivida, mais você fica desconfiado que ele poderá não te pagar, o que faz com que o governo tenha que aumentar a taxa de juros para tornar atraente você correr o risco.
A consequência de juros altos
Juros mais elevados significarão que os outros tomadores de crédito, por exemplo, os empresários, precisarão pagar ainda mais para que você prefira emprestar a eles em vez de emprestar ao governo, comprando títulos públicos. Ora, se o investimento pretendido pelo empresário não for suficiente para pagar os juros e sobrar algum na forma de lucro, ele não investirá e consequentemente não criará demanda por matéria-prima e tampouco abrirá novos postos de trabalho.
Que se aumentem os impostos
Aumentar os impostos para cobrir o déficit gerado por gastos acima da receita significará ter que aumentar o preço do produto para o consumidor. Uma inflação nos preços obviamente obriga a uma diminuição no consumo, o que obrigará a indústria a ajustar sua produção, diminuindo a demanda por matéria prima e, por consequência, demitindo trabalhadores.
Então basta emitir moeda
A forma de financiar a dívida do governo pela emissão de moeda (já que ele é o dono da maquininha que faz dinheiro, por que não fabricar o que precisa e pagar sua dívida?) foi um expediente muito utilizado, em especial, na década de 1980.
O resultado não pode ser mais desastroso. Se o governo emite moeda em uma velocidade maior que o aumento de bens e serviços, aumenta de forma fictícia o potencial de demanda, mas não havendo aumento da oferta, teremos inflação e todas as suas consequências nefastas.
E como está a dívida do governo
Somente a dívida pública federal, portanto, sem contar a dívida dos estados e municípios, estava em abril em R$ 3,244 trilhões. Tudo o que produzimos no ano passado somou R$ 6,267 trilhões, o que significa dizer que nossa dívida é aproximadamente 52% do PIB. O custo médio dos juros pagos por esta dívida é de 11,57% ao ano, o que quer dizer que somente com os juros, esta dívida aumentará em mais 6%. Como os gastos continuam sendo maiores que a arrecadação, a dívida deverá crescer muito próxima ao que cresceu o ano passado 11,42%.
O que fazer
O que preocupa não é a dívida em si, mas a forma de financiá-la, que como exposto, qualquer que seja a opção, trará como consequência última a extinção de empregos, em um país que já conta 14 milhões de desempregados. Deixando de lado aqueles que, por ingenuidade, acreditam que para o país sair da crise basta dobrar o salário mínimo, ou os que sofrem de acomodação intelectual que propagam que basta acabar com a corrupção que o problema está resolvido, precisamos que as reformas que segurem o crescimento desta dívida sejam aprovadas o quanto antes. Não será suficiente, mas é fundamental.
Marcos J. G. Rambalducci Dr. e Professor da UTFPR e Consultor Econômico da ACIL.





