Economia não deve ser abalada pelas eleições
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terça-feira, 14 de março de 2006
Da Redação 
Baixa inflação, dívida pública inexpressiva, risco país em 200 pontos, que não deixam saudade dos 2.000 pontos atingidos nas eleições de 2002. ''As condições favoráveis para uma queda contínua e sustentável das taxas de juros brasileiras estão dadas'', segundo o jornalista e analista econômico Carlos Alberto Sardenberg, que ministrou palestra ontem sobre a Conjuntura Econômica Brasileira no Centro de Eventos do Catuaí Shopping, integrando o 1º Circuito de Debates CBN que está inserido na programação cultural de 2006 do Catuaí.
Segundo ele, a meta inflacionária para 2006, que é de 4,5%, deve ficar ainda abaixo do índice, mesmo com as altas da gasolina e álcool, favorecendo a redução dos juros. ''Toda a circunstância aponta para uma queda maior do que a realizada na última reunião do Copom, que foi de 0,75% da taxa Selic. A diferença é que o cenário permite uma redução gradual e consistente'', analisa o jornalista, âncora da rádio CBN, colunista dos jornais 'O Estado de S. Paulo' e 'O Globo', e autor dos livros 'Aventura e Agonia nos Bastidores do Cruzado' e 'Jogo Aberto'.
Esse cenário é resultado de um processo de queda: em 2002, em números redondos, a taxa era de 12%, caindo para 9% em 2003, 7% em 2004 e 5% em 2005. ''Uma inflação abaixo dos 5% ao ano é bastante rara no país'', afirma ele, que participou da equipe de comunicação do governo entre 85 e 87, presenciando as taxas escandalosas de inflação do Plano Cruzado.
O quadro deve favorecer o varejo, influenciado ainda por outros fatores positivos, dentre eles, a queda sistemática do desemprego, o expressivo crescimento do crédito para pessoa física no ano passado e o dólar barato, que projetam aumento do consumo. ''Estamos num ano de copa do mundo, que sempre impulsionam as vendas de eletroeletrônicos, não somente da televisão. Paralelo a isso, podemos prever uma redução na compra de bens mais caros, os duráveis, porque as famílias brasileiras começaram o ano mais endividadas, devido ao grande estímulo ao crédito em 2005'', destaca Sardenberg.
Já para o empresário, as boas perspectivas para a economia brasileira esbarram num velho fantasma: as altas cargas tributárias. ''Enquanto não houver uma consciência política de redução dos gastos públicos, a carga tributária não vai diminuir. Isso é herança de uma política que atrela o aumento dos impostos ao aumento dos gastos públicos, que só crescem.''
Mas mesmo esse quadro favorável não deve, sozinho, servir para alavancar o crescimento da economia brasileira, que ficou em torno de 2,3% em 2005, um dos piores índices da América Latina. ''As condições externas são extremamente favoráveis e são as melhores dos últimos 30 anos. A previsão de superávit nas exportações é boa para 2006 e 2007. Mesmo assim, o Brasil não acompanha o ritmo mundial, porque o governo não vem criando boas condições para investimentos'', ressalta Sardenberg.


