Baixa inflação, dívida pública inexpressiva, risco país em 200 pontos, que não deixam saudade dos 2.000 pontos atingidos nas eleições de 2002. ''As condições favoráveis para uma queda contínua e sustentável das taxas de juros brasileiras estão dadas'', segundo o jornalista e analista econômico Carlos Alberto Sardenberg, que ministrou palestra ontem sobre a Conjuntura Econômica Brasileira no Centro de Eventos do Catuaí Shopping, integrando o 1º Circuito de Debates CBN que está inserido na programação cultural de 2006 do Catuaí.
Segundo ele, a meta inflacionária para 2006, que é de 4,5%, deve ficar ainda abaixo do índice, mesmo com as altas da gasolina e álcool, favorecendo a redução dos juros. ''Toda a circunstância aponta para uma queda maior do que a realizada na última reunião do Copom, que foi de 0,75% da taxa Selic. A diferença é que o cenário permite uma redução gradual e consistente'', analisa o jornalista, âncora da rádio CBN, colunista dos jornais 'O Estado de S. Paulo' e 'O Globo', e autor dos livros 'Aventura e Agonia nos Bastidores do Cruzado' e 'Jogo Aberto'.
Esse cenário é resultado de um processo de queda: em 2002, em números redondos, a taxa era de 12%, caindo para 9% em 2003, 7% em 2004 e 5% em 2005. ''Uma inflação abaixo dos 5% ao ano é bastante rara no país'', afirma ele, que participou da equipe de comunicação do governo entre 85 e 87, presenciando as taxas escandalosas de inflação do Plano Cruzado.
O quadro deve favorecer o varejo, influenciado ainda por outros fatores positivos, dentre eles, a queda sistemática do desemprego, o expressivo crescimento do crédito para pessoa física no ano passado e o dólar barato, que projetam aumento do consumo. ''Estamos num ano de copa do mundo, que sempre impulsionam as vendas de eletroeletrônicos, não somente da televisão. Paralelo a isso, podemos prever uma redução na compra de bens mais caros, os duráveis, porque as famílias brasileiras começaram o ano mais endividadas, devido ao grande estímulo ao crédito em 2005'', destaca Sardenberg.
Já para o empresário, as boas perspectivas para a economia brasileira esbarram num velho fantasma: as altas cargas tributárias. ''Enquanto não houver uma consciência política de redução dos gastos públicos, a carga tributária não vai diminuir. Isso é herança de uma política que atrela o aumento dos impostos ao aumento dos gastos públicos, que só crescem.''
Mas mesmo esse quadro favorável não deve, sozinho, servir para alavancar o crescimento da economia brasileira, que ficou em torno de 2,3% em 2005, um dos piores índices da América Latina. ''As condições externas são extremamente favoráveis e são as melhores dos últimos 30 anos. A previsão de superávit nas exportações é boa para 2006 e 2007. Mesmo assim, o Brasil não acompanha o ritmo mundial, porque o governo não vem criando boas condições para investimentos'', ressalta Sardenberg.

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