BRASÍLIA - A economia brasileira, especialmente a política cambial do País, é ‘‘o assunto mais palpitante do momento’’, segundo técnicos do governo, depois da divulgação de estudos de organismos internacionais como Banco Mundial (Bird) e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), e de economistas internacionais, como Jeffrey Sachs, que cercam suas análises com críticas e elogios ao gerenciamento do Plano Real.
A concentração das críticas na área da política cambial já não surpreende nenhum economista do governo que, no entanto, respondem às análises de que o País utiliza mal os recursos destinados à área social e as de lentidão do programa de privatização. ‘‘A análise do BID está defasada porque este ano o programa sofreu um forte impulso’’, comentam assessores do Ministério da Fazenda.
Os assessores do ministro da Fazenda, Pedro Malan, não consideram ruim o relatório do BID. Fazem apenas considerações de que a alegada lentidão do programa de privatização não passa de um equívoco. Os técnicos lembram o esforço do governo para fechar o ciclo de iniciativas na venda de estatais do setor elétrico e a constatação de que, hoje, a privatização não é apenas uma ação do governo federal. ‘‘A privatização é um bandeira nacional’’, insistem.
O maior impacto, no entanto, foi provocado pelo ‘‘vazamento’’ do documento do economista do Banco Mundial, Alexander Yeats, com críticas ao Mercosul. ‘‘Falar que o Mercosul é um bloco excludente de comércio não faz o menor sentido’’, avaliam.
A divulgação do texto criou constrangimentos e, certamente, será um dos assuntos da agenda do ministro Malan com dirigentes do Bird hoje em Washington. Os técnicos contaram que, normalmente, antes da publicação de documentos oficiais de organismos internacionais sempre é feita uma consulta prévia ao país em questão. ‘‘E o governo brasileiro não concordou com as avaliações do economista’’, ponderou um assessor.

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