O secretário geral da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e desenvolvimento (Unctad), embaixador Rubens Ricupero, disse que a entidade prevê que a economia mundial crescerá somente 1,5% no ano que vem, na melhor das hipóteses. E isso, naturalmente, afetará o comércio mundial, dificultando a situação dos países que precisam elevar suas exportações, assinalou.
Ele admitiu que existem vários fatores positivos influindo no cenário, mas lembrou que há também muitos fatores adversos. ‘‘A economia mundial nunca foi tão volátil e está como uma nuvem, que tem uma forma a cada momento que se olha para ela’’.
Ricupero, que participou ontem do 18º Encontro Nacional de Comércio Exterior (Enaex), promovido pela Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), recordou que o Fundo Monetário Internacional (FMI) já fez este ano quatro revisões das suas projeções para o desempenho do comércio mundial, todas para baixo - o desempenho do comércio depende, obviamente, do comportamneto da economia.
Neste momento, as projeções são de 3,7% de incremento neste comércio em 98 e de 4,6% para 99, resultados ruins frente ao registrado no ano passado, quando o crescimento foi de 9,7%.
De acordo com ele, a economia mundial precisa expandir-se em pelo menos 3% ao ano para assegurar criação de empregos e redução da pobreza. Mesmo com toda a volatibilidade atual, disse, não há escapatória: ‘‘O crescimento do ano que vem será medíocre’’.
Entre os fatores positivos, Ricupero destacou o que chamou de ativismo do Federal Reserve, o Banco Central norte-americano, que promoveu três diminuições nas taxas de juros em um curtíssimo espaço de tempo.
Em seu entender, o presidente do Fed, Allan Greenspan, está fazendo agora o mesmo que fez em outubro de 1987, quando houve um crash na bolsa norte-americana. Ele prometeu, e cumpriu, na época, injetar liquidez maciçamente no sistema norte-americano para levantar as cotações dos papéis, o que se faz diminuindo os juros, de forma a facilitar o acesso das pessoas ao crédito.
Outro ponto positivo foi a aprovação, pelo Congresso dos EUA, de aumento das disponibilidades do FMI para US$ 90 bilhões. Também conta a favor, explicou, o fato de o Japão finalmente ter apresentado um programa de reestruturação do sistema bancário e ter anunciado dois planos de impacto: um para reativação da economia e outro de uma ajuda de US$ 30 bilhões para movimentar as economias asiáticas.

mockup