Economia mundial só vai crescer 1,5% em 99, diz Ricupero
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sexta-feira, 20 de novembro de 1998
Agência Estado 
O secretário geral da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e desenvolvimento (Unctad), embaixador Rubens Ricupero, disse que a entidade prevê que a economia mundial crescerá somente 1,5% no ano que vem, na melhor das hipóteses. E isso, naturalmente, afetará o comércio mundial, dificultando a situação dos países que precisam elevar suas exportações, assinalou.
Ele admitiu que existem vários fatores positivos influindo no cenário, mas lembrou que há também muitos fatores adversos. A economia mundial nunca foi tão volátil e está como uma nuvem, que tem uma forma a cada momento que se olha para ela.
Ricupero, que participou ontem do 18º Encontro Nacional de Comércio Exterior (Enaex), promovido pela Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), recordou que o Fundo Monetário Internacional (FMI) já fez este ano quatro revisões das suas projeções para o desempenho do comércio mundial, todas para baixo - o desempenho do comércio depende, obviamente, do comportamneto da economia.
Neste momento, as projeções são de 3,7% de incremento neste comércio em 98 e de 4,6% para 99, resultados ruins frente ao registrado no ano passado, quando o crescimento foi de 9,7%.
De acordo com ele, a economia mundial precisa expandir-se em pelo menos 3% ao ano para assegurar criação de empregos e redução da pobreza. Mesmo com toda a volatibilidade atual, disse, não há escapatória: O crescimento do ano que vem será medíocre.
Entre os fatores positivos, Ricupero destacou o que chamou de ativismo do Federal Reserve, o Banco Central norte-americano, que promoveu três diminuições nas taxas de juros em um curtíssimo espaço de tempo.
Em seu entender, o presidente do Fed, Allan Greenspan, está fazendo agora o mesmo que fez em outubro de 1987, quando houve um crash na bolsa norte-americana. Ele prometeu, e cumpriu, na época, injetar liquidez maciçamente no sistema norte-americano para levantar as cotações dos papéis, o que se faz diminuindo os juros, de forma a facilitar o acesso das pessoas ao crédito.
Outro ponto positivo foi a aprovação, pelo Congresso dos EUA, de aumento das disponibilidades do FMI para US$ 90 bilhões. Também conta a favor, explicou, o fato de o Japão finalmente ter apresentado um programa de reestruturação do sistema bancário e ter anunciado dois planos de impacto: um para reativação da economia e outro de uma ajuda de US$ 30 bilhões para movimentar as economias asiáticas.


