A crise financeira centrada na Ásia amainou desde janeiro, mas o risco de novas turbulências permanece, de acordo com o relatório World Economic Outolook (Perspectiva Econômica Mundial), divulgado ontem pelo diretor do Departamento de Pesquisa do Fundo Monetário Internacional (FMI), Michael Mussa.
Os economistas do FMI reduziram para 3% a previsão de crescimento econômico mundial, depois de haver divulgado projeções de 4,25% em outubro e de 3,5% em dezembro. No Brasil, o Produto Interno Bruto (PIB) deverá aumentar 1,5% neste ano, segundo as estimativas contidas no documento.
A economia norte-americana continuará vigorosa, embora o crescimento do PIB, projetado em 2,9%, deva ser menor que o do ano passado (3,8%). A expansão média prevista para a União Européia é de 2,8%. Excetuado o caso do Japão, o desempenho das economias mais poderosas deverá sustentar algum dinamismo internacional.
Assim, o comércio mundial de bens e serviços poderá crescer substancialmente, 6,4%, embora em ritmo bem menor que o do ano passado, quando se expandiu 9,4%. De modo geral, a redução do crescimento econômico será menos sensível que nos três últimos períodos de retração mundial, em 1974-75, 1980-83 e 1990-91.
O PIB japonês deverá continuar em queda até o fim do primeiro semestre e recuperar-se no segundo, com crescimento nulo na média do ano, segundo Mussa. O pacote fiscal anunciado pelo governo poderá acrescentar uns 2% a demanda interna de bens e serviços, mas o efeito, se ocorrer, só deverá ser sentido a partir da segunda metade do ano, disse o economista.
Ele advertiu, além disso, para o risco de se perder o impulso no próximo ano, caso o governo japonês, repetindo um erro do ano passado, elimine os incentivos fiscais depois dos primeiros sinais de crescimento econômico.
Para as economias em desenvolvimento fora da Ásia, como a brasileira, os efeitos da crise serão em geral moderados, mas o crescimento econômico será freado por vários fatores: menor oferta de capital estrangeiro, empréstimos externos mais caros, ações mais baratas e políticas mais apertadas para tornar as economias menos vulneráveis.
A freada poderá ser mais forte se alguma derrapagem na política econômica da Ásia agravar a crise. A crise também se reflete em cotações mais baixas para os produtos básicos, como o petróleo. Haverá perdas maiores para os países mais dependentes desses produtos.
O fluxo líquido de capitais privados para os países em desenvolvimento deverá cair de US$ 154,7 bilhões no ano passado para US$ 99,5 bilhões. O investimento direto deverá diminuir de US$ 119,4 bilhões para US$ 99,1 bilhões. O maior impacto ocorrerá, segundo o estudo, nas aplicações em títulos, com redução estimada de US$ 40,6 bilhões para US$ 19,4 bilhões.
Os cinco países situados no centro da crise deverão enfrentar uma severa retração. Segundo as projeções do FMI, o crescimento do PIB passará de 7,8% em 1997 para 2,5% na Malásia e de 5,1% para 2,5% nas Filipinas. Na Coréia, a variação do PIB mudará de sinal, saindo de uma expansão de 5,5% para uma contração de 0,8%. Na Tailândia, o sinal continuará negativo: o PIB diminuiu 0,4% em 1997 e deverá encolher 3,1% em 1998.

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