Economia mundial deve crescer 4,5%
O Fundo Monetário Internacional (FMI) informou ontem que a economia mundial deve crescer entre 4,0% e 4,5% este ano e o próximo, num ritmo que deve ser sustentado por vários anos. Há razões para acreditar que a atual expansão pode ser sustentada, possivelmente até a próxima década, anunciou o FMI, com sede em Washington, em seu relatório semestral Perspectiva Econômica Mundial. As estimativas indicam que PIB mundial cresceria 4,5% até 2002, depois de crescer 3,75% desde 1970.
A reunião anual do FMI, juntamente com a do Banco Mundial, começou ontem em Hong Kong contando com a participação de 16 mil pessoas, incluindo dirigentes dos 181 países integrantes do Fundo.
Os principais riscos apontados no relatório incluem inflação e outros sinais de superaquecimento, incertezas associadas com a União Monetária Européia e a sustentação dos fluxos de capital nas economias dos mercados emergentes.
O FMI também fez um alerta sobre a recente alta nos mercados acionários mundiais, apesar da correção ocorrida em agosto. Também há motivos para preocupação sobre o vigor dos preços nos mercados acionários mundiais que, até um certo ponto, podem estar baseados em expectativas não realistas sobre perspectivas de crescimento de ganho futuro e baixas taxas de juros, anunciou o FMI.
O Fundo informou que o atual passo de expansão econômica é o mais forte do mundo em uma década e o quarto episódio da economia global de um crescimento relativamente rápido desde o começo dos anos 70.
A despeito de seu otimismo sobre a situação econômica mundial, o FMI disse que tendências verificadas em ciclos passados levantam questões sobre se a expansão será seguida por um generalizado desaquecimento e recessões como aconteceu anteriormente.
O Fundo advertiu, entretanto, que alguns países asiáticos vão provavelmente experimentar um revés associado com o recente distúrbio nos mercados financeiros no sudeste asiático.
O relatório destaca que, desta vez, o ritmo está sendo guiado por um contínuo e sólido crescimento com baixa inflação nos Estados Unidos e Grã-Bretanha, uma recuperação fortalecedora no Canadá e um alargamento de recuperação pela Europa ocidental que, entretanto, está deformado pela persistente fraqueza na demanda doméstica em alguns dos maiores países do continente.
A inflação dos preços ao consumidor entre as economias avançadas foi, em média, de apenas 2,5% em 1996 e apenas quatro países do grupo tiveram inflação acima dos 5%.
O FMI também anunciou que tendências robustas de crescimento na maioria do mundo em desenvolvimento, particularmente na China e em grande parte do restante da Ásia, tem dado suporte à economia mundial.
O relatório diz ainda que para a Rússia e outras economias de transição há a evidência de um fim no declínio na produção e, talvez, o começo de crescimento.
Entre as razões pelas quais o FMI vê uma continuação do crescimento econômico mundial, a organização multilateral afirma que há relativamente poucos sinais de tensões e desequilíbrios que tipicamente prenunciaram reveses em ciclos passados. Em particular, o FMI anunciou que a inflação global está dominada e os governos parecem mais comprometidos em mantê-la assim do que em qualquer outra época do pós-segunda guerra mundial.





