Economia mundial deve crescer 3,3% em 2006
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quarta-feira, 25 de janeiro de 2006
Alfons Luna<br> Agência France Presse 
Nova Iorque - No relatório ''Situação econômica mundial e as perspectivas para 2006'' divulgado ontem em Nova York e Genebra, a Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou que a economia mundial deve crescer 3,3% este ano, mantendo o ritmo de desaceleração de 2005.
Depois do crescimento ''historicamente alto de 4% em 2004'', estes dados refletem de certa forma um ''bom desempenho'', segundo o subsecretário-geral da organização, José Antonio Ocampo, em Nova York.
''Por outro lado'', continuou, ''os resultados em matéria de emprego não são satisfatórios, tanto nos países em desenvolvimento como nos países desenvolvidos''.
Além disso, a organização cita como os maiores riscos para o futuro próximo do planeta uma nova escalada dos preços do petróleo, a possível transformação da gripe das aves em pandemia humana e uma queda brusca dos preços no setor imobiliário em várias economias de peso.
O lento crescimento dos Estados Unidos, a estagnação das economias européias e a retomada modesta da economia do Japão contrastam com o forte crescimento dos países em desenvolvimento, com ligeira queda em 2006.
Este ano, segundo a ONU, as economias desenvolvidas devem avançar 2,5%, as economias em transição (leste europeu), 5,9% e as economias em desenvolvimento, 5,6%.
Para a ONU, o crescimento previsto para a economia americana avançará 3,1%, a japonesa crescerá 1,9%, a da União Européia, 2,1% e a chinesa, cuja demanda se tornou um dos motores da recuperação mundial, 8,3%.
O relatório destaca que, com um crescimento de 6,6%, as 50 economias menos desenvolvidas estão melhorando, avançando a ritmos mais acelerados do que nas últimas décadas.
A expansão dos países em desenvolvimento ocorreu paralelamente ao forte crescimento na China e na Índia (6,8% previstos para 2006) e sua demanda por matérias-primas, constata o relatório anual da ONU. Algumas economias deste grupo foram afetadas pelos altos custos do petróleo e pelas importações de alimentos, mas outras, como as exportadoras destes produtos, foram beneficiadas.
O outro lado da moeda, adverte a ONU, é que o preço das matérias-primas não necessariamente continuará aumentando para sempre, e isso voltará a colocar em destaque as carências estruturais de muitas economias em desenvolvimento. ''Em geral'', advertem os autores do documento, ''os preços das matérias-primas parecem ter alcançado um máximo, e a perspectiva para muitas delas, não derivadas do petróleo, é de queda nos preços''.
O crescimento dos últimos anos não representou nestes países a geração de empregos. ''Em consequência'', adverte o relatório, ''as taxas de desemprego em um grande número de países são ainda significativamente maiores do que antes da crise de 2000-2001''.


