Arquivo FolhaDias de agitoCandidatos gastam em hospedagem, transporte, alimentação e principalmente lazer. Sborgi, presidente sindical (no detalhe), diz que ‘‘o movimento do vestibular mostra que Londrina está preparada para expandir o turismo’’Os 16.953 candidatos de fora de Londrina que participam do Vestibular de Inverno da Universidade Estadual de Londrina devem deixar na cidade cerca de R$ 3,8 milhões. A estimativa é feita com base nos resultados do último vestibular, em janeiro, quando 11.200 candidatos de fora gastaram em torno de R$ 2,5 milhões no período médio de cinco dias - segundo pesquisa realizada pelos parceiros Acil (Associação Comercial e Industrial) e Folha.
A Acil não faz estimativas, mas observa que o simples aumento de 51% no número de candidatos de outros municípios indica que o volume de negócios será bem superior aos R$ 2,5 milhões. O Paraná participa das provas com 11.419 vestibulandos (incluindo os 5.635 de Londrina). São Paulo tem 8.811 candidatos.
Newton Sborgi, presidente do Sindicato dos Hotéis, Bares, Restaurantes e Similares, trabalha com o cálculo de 15 mil candidatos (ao todo são 22.588 inscritos) gastando em média R$ 80 por dia, o que totaliza, em suas projeções, R$ 4,8 milhões no período de quatro dias.
‘‘O vestibular de julho é ‘maior’ que o de janeiro; nem dá para comparar’’, diz ele, informando que estão lotados os hotéis, pensões e pensionatos. ‘‘Se temos 6 mil leitos na rede classificada ‘‘por nossa conta’’, os seis mil estão ocupados, levando em conta as reservas técnicas, e os vestibulandos ainda lotam hotéis em Cornélio Procópio, Arapongas, Rolândia, em toda a região’’.
Sborgi chama a atenção para um fato que ele vem comprovando: a mudança do perfil do vestibulando, beneficiando principalmente o comércio varejista e a ‘‘indústria’’ de entretenimento. ‘‘O candidato que fica mais que 24 horas na cidade não só compra como se diverte, e hoje se diverte mais do que compra; ele tem a noite para curtir’’.
O presidente do sindicato fala que nesse vai-e-vem pela cidade, o vestibulando acaba atraindo para as ruas o londrinense e o pessoal da região que gosta de festa mas que tem poucas ao longo do ano. ‘‘Muitos ainda vêm com alguém da família, o que compensa a falta de gastos daquele candidato que faz a prova e vai embora, para voltar no dia seguinte’’. Esse cordão de pessoas está esticando a noite de Londrina até três, quatro horas da manhã.
Na análise de Newton Sborgi, mais importante que o reflexo do vestibular na economia local e regional é a certeza de que Londrina está preparada para o turismo. ‘‘O período é tão fantástico que um grande número de moradores abre espaços em suas casas para agregar renda ao orçamento familiar’’.
Sborgi afirma ainda que ‘‘todo mundo’’ recebe bem o vestibulando. ‘‘A hotelaria dá desconto, os preços em geral não sobem. Ocorre aí uma distribuição democrática de renda; ganha o dono do hotel, o taxista, quem faz cachorro-quente, quem vende artesanato’’. Todos, porém, na visão dele, deveriam explorar melhor a oportunidade, usando instrumentos de propaganda e marketing. ‘‘O próprio município deveria investir nesse sentido’’ - destaca.

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