Economia informal explora menores
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domingo, 14 de dezembro de 1997
Carmem Murara Curitiba 
Marcelo AlmeidaTriste realidadeAdilson Pereira (nome fictício) tem 10 anos e trabalha como ambulante. Eu trabalho para ajudar em casa Apesar de ser proibido pela Constituição Federal, o Brasil ainda não conseguiu resolver um de seus problemas: o trabalho infantil. Hoje, as crianças de até 14 anos de idade fazem parte da população economicamente ativa do País. Um levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que 16,8% das crianças que têm entre 10 e 14 anos estão trabalhando. A maioria trabalha na economia informal e sequer recebe remuneração pelo serviço.
Em todos os Estados brasileiros a situação se repete e não é diferente no Paraná. Do total de crianças paranaenses, 21,6% têm alguma atividade profissional, o que dá pouco mais de 206 mil menores no mercado de trabalho. Somente na Região Metropolitana de Curitiba, há 21,5 mil crianças que se enquadram no critério economicamente ativas. Elas são quase 10% do total de menores que estão nesta faixa etária.
A pesquisa do IBGE revela ainda que o Paraná é o Estado da Região Sul que tem o maior percentual de menores no mercado de trabalho. A população economicamente ativa de 10 a 14 anos é de 495,4 mil na Região Sul. Deste total, o Paraná concentra 41,6% desta população. O restante fica dividido entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
Os menores trabalham como empregados ou em serviços que não lhes garantem qualquer remuneração. Do total de menores que o IBGE apurou, 7,5 mil da Região Metropolitana não recebem pelo trabalho que fazem. O número estadual é de 103,8 mil, pouco menos da metade dos menores está incluída na população economicamente ativa.
A maior concentração de pessoas ocupadas na faixa etária de 10 a 14 anos está no interior do Estado. Eles trabalham nas lavouras de cana-de-açúcar e café. São os pequenos bóias-frias, que ajudam os pais para aumentar a renda familiar. Nos centros urbanos, o trabalho infantil está presente, principalmente, no mercado de vendedores ambulantes e serviços domésticos. Mas há lojas, no centro de Curitiba, que aceitam a mão-de-obra infantil.
Considerando o total da população ocupada no Estado, os dados do IBGE mostram que para cada 10 crianças que trabalham, apenas uma está na Região Metropolitana de Curitiba. Entre todos os trabalhadores, a cada quatro empregos formais ou informais no Paraná, um está situado na Grande Curitiba.
Um levantamento feito no início da década de 80 pela Organização Mundial do Trabalho (OIT) mostrou que o trabalho infantil no País era um dos maiores do mundo. Dezoito por cento das crianças com idade entre 10 e 14 anos estavam trabalhando. Uma pesquisa feita na mesma época apontou um percentual de 11% na Indonésia. Marrocos e Honduras tinham 14,7%, República Dominicana com 15,5% e Portugal com 16,8% dos menores no mercado profissional. O Brasil ficou na frente do Paraguai (19,9%) e do Haiti (24,4%).


