Economia impõe nova escala de produção
Da Redação
As mudanças na economia mundial e os problemas ocorridos na agricultura em 1999 nos remete aos desafios enfrentados pelo Paraná: a mudança de escala de produção, em razão de novos padrões tecnológicos, da competição internacional e da nova fronteira agrícola brasileira.
A opinião é do presidente das Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Ágide Meneguette, ao fazer, terça-feira, um balanço da agricultura em 1999 e traçar previsões para novo ano.
O Governo Federal tem culpa pela situação de crise da agropecuária, pela sua omissão ou inércia. Mas, o diagnóstico demonstra que a queda dos preços tem uma responsabilidade extremamente séria na crise da agricultura brasileira, que deve ser imputada à economia mundial, aos avanços tecnológicos e ao comportamento de países desenvolvidos que protegem seus mercados.
Em artigo distribuído na quinta-feira pela assessoria de imprensa, para ser publicando neste fim de semana, Ágide analisa os perigos enfrentados pelo setor. aproveita para apresentar um balanço dos resultados das viagens de agricultores aos Estados Unidos e Argentina, este ano, para observar como os concorrentes estão reduzindo custos e defendendo seu mercado.
Diagnóstico Para Ágide, a crise na agricultura, que ainda persiste na virada do ano, tem a seguinte origem: a) na queda geral dos preços no início da safra; b) no protecionismo de mercado pelos países desenvolvidos e b) na omissão do governo brasileiro. A agricultura, ainda longe da recuperação, escapou de um desastre graças ao ajuste cambial, reclamado desde o início do plano real.
Segundo o presidente da Faep, a situação parecia pior no início do ano. A queda dos preços dos produtos agropecuários em todo o mundo apontava, no início do ano, para um desastre na agricultura brasileira em 1999 e na entrada do ano 2000. A queda dos preços realmente ocorreu, mas o desastre não se efetivou nas dimensões esperadas, como consequência da nova política cambial, que compensou as perdas em dólar pela desvalorização do real.
A situação estaria extremamente mais difícil, não fosse a mudança cambial, que vinha sendo exigida desde o início do Plano Real por diversos segmentos da economia e da sociedade, incluindo a Faep. O câmbio defasado como estava, distorcia os preços, gerando perdas para quem produzia para exportação e tornando mais baratas as importações, que vinham concorrer com vantagens com a nossa produção, lembra Ágide.
Embora a nova política tenha elevado o custo de produção da atual safra, se a defasagem cambial persistisse, as perdas dos produtores rurais teriam sido ainda maiores. A queda de preços pode parecer um episódio, mas na realidade é uma tendência desde a década de 70. A inflação, os subsídios dos anos 70 e 80, o câmbio subvalorizado do início dos anos 90, mascararam essas perdas, que se tornaram mais visíveis a partir de 1995, pelos efeitos do Plano Real.
Segundo o presidente da Faep, o Governo Federal tem culpa pela situação de crise da agropecuária, pela sua omissão ou inércia. Mas o diagnóstico demonstra que a queda dos preços tem uma responsabilidade extremamente séria na crise da agricultura brasileira, que deve ser imputada à economia mundial, aos avanços tecnológicos e ao comportamento de países desenvolvidos que protegem seus mercados.
Exemplo dos EUA O Governo Federal tem culpa pela situação de crise da agropecuária, pela sua omissão ou inércia. Mas o diagnóstico demonstra que a queda dos preços tem uma responsabilidade extremamente séria na crise da agricultura brasileira, que deve ser imputada à economia mundial, aos avanços tecnológicos e ao comportamento de países desenvolvidos que protegem seus mercados.
Para quem fez parte das caravanas de viagens técnicas à Argentina e aos Estados Unidos, que a Faep promoveu em 1999, em parceria com o Sebrae e o Senar Paraná, essa situação parece evidente. Nesses países há uma rápida concentração de propriedade, como resposta às exigências de maior escala de produção, de tal forma que um produtor norte-americano com 400 hectares é considerado pequeno.
No Paraná - segundo dados da Faep - este processo já ocorre, como revelam os dados do Censo Agropecuário do IBGE: em 10 anos, 97 mil estabelecimentos rurais desapareceram no Estado - quase 10 mil por ano.
São milhares de pessoas obrigadas a deixar o campo, porque sua atividade já não pode lhes dar sustento. O mesmo processo de concentração fundiária leva à mecanização, que também expulsa população rural, cuja qualificação torna difícil sua absorção no mercado de trabalho urbano.
Custo Brasil Em seu artigo, Meneguette cita os obstáculos à renda rural e destaca o custo Brasil. Se pudéssemos sintetizar, este é o grande problema da renda rural. A queda de renda pode ser resolvida ou amenizada com providências de ordem institucional e estrutural. No primeiro caso, o papel do Governo é relevante, uma vez que cabe a ele reduzir o Custo Brasil: tirar a tributação que pesa sobre a produção, dar condições para redução do custo do frete e das tarifas portuárias, melhorar a infra-estrutura, providenciar recursos para financiamento, impor medidas protecionistas sempre que nossa produção for ameaçada por subsídios ou por outra forma de distorção do comércio internacional.
Na questão estrutural, os agentes privados tem uma papel preponderante, já que depende de nós, produtores, encontrar e efetivar novos arranjos de produção que permitam escala, produtividade, qualidade e competitividade.
A Faep tem procurado pressionar o Governo para resolver os problemas decorrentes do Custo Brasil e do Custo Paraná - já que parte deles são da responsabilidade do Governo do Estado. De outro lado, através de estudos e parcerias com outras instituições, a Faep vem sensibilizando autoridades, lideranças e produtores para atuarem nas mudanças de nossa estrutura.
Exemplo desta ação, segundo a Meneguette, são os estudos sobre Fruticultura, Leite e Pecuária de Corte. Os dois primeiros típicos de pequenas propriedades e o segundo destinado a recuperar uma ampla faixa de nosso território, onde a pecuária não se sustenta mais da forma tradicional. Mudar a estrutura de nossa economia agropecuária é, a meu ver, a nova prioridade, uma vez que significa evitar que nossa gente seja obrigada a deixar suas atividades no meio rural, migrando para as cidades, aumentando a miséria e a marginalidade. Para Ágide, estas são questões urgentes, que nem mais reflexões merecem: exigem uma ação rápida.





