Rio de Janeiro - Os juros maiores em vigor até agosto e o agravamento da crise global ditaram os rumos da economia brasileira no terceiro trimestre, período no qual o Produto Interno Bruto (PIB) ficou estagnado frente ao segundo trimestre, na comparação livre de influências sazonais, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia de Estatística (IBGE).
O PIB, em valores correntes, chegou a R$ 1,05 trilhão no período.
Na comparação com terceiro trimestre de 2010, porém, a economia cresceu 2,1%.
Com o resultado, o PIB do país acumula alta de 3,2% nos três primeiros trimestres do ano e de 3,7% nos últimos 12 meses (quatro trimestres). Setor mais sujeito a oscilações e com maior conexão com o exterior, a indústria sofreu mais o baque da crise e registrou queda de 0,9% na comparação com o segundo trimestre. Já o setor de serviços teve queda de 0,3%, e agropecuária subiu 3,2%.
O consumo das famílias, por sua vez, caiu pela primeira vez desde o quarto trimestre de 2008, segundo a economista do IBGE Rebeca Palis. ''O índice cedeu 0,1% na comparação de um trimestre para outro, mas cresceu 2,8% na comparação anual (contra o terceiro trimestre de 2010) e acumula no ano alta de 4,8%.''
O consumo das família na comparação anual (terceiro trimestre de 2011 ante mesmo período de 2010) subiu 2,8%, o menor crescimento desde o primeiro trimestre de 2009, quando subiu 2,3% impactado pela crise financeira de 2008. Segundo a economista, a última vez que o consumo das famílias ficou negativo foi no terceiro trimestre de 2003, uma queda de 1,5%. ''Depois disso só cresceu'', informou.
Os investimentos (medidos pela formação bruta de capital fixo), por sua vez, caíram 0,2%, na relação trimestral, na esteira da menor confiança de empresários diante da crise. Já o consumo do governo registro queda de 0,7%. Na comparação do terceiro trimestre deste ano com o mesmo de 2010, houve alta de 2,5% -a menor taxa desde o terceiro trimestre de 2009, quando registrou queda de 9%.
A economista explica que contribuíram para um desempenho mais fraco no consumo e nos investimentos as altas taxas de juros e as medidas anunciadas pelo governo em dezembro do ano passado para conter a inflação.
O setor que mais cresceu foi a agropecuária, com a queda de produção do trigo, cana de açúcar e café mais do que compensados pela expectativa de alta das safras da mandioca, feijão e laranja, de 7,3%, 6,1% e 3,1%, respectivamente, na comparação com o terceiro trimestre do ano passado. A agropecuária subiu 6,9% no terceiro trimestre ante igual período de 2010.

Imagem ilustrativa da imagem Economia fica estável no 3º trimestre
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