As manchetes dos jornais e os noticiários na TV nos últimos meses dizem o tempo todo que o Brasil está se transformando na Meca dos investimentos estrangeiros. O risco país é baixíssimo, o real nunca esteve tão valorizado, a Classe C nunca comprou tanto, a indústria automobilística bate recordes de venda. Quando o empresário recebe todas estas informações, fica com uma vontade imensa de participar desta prosperidade sem fim ''como nunca se viu antes neste País'', como diria o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O ambiente econômico brasileiro está realmente favorável. Mas, antes de entrar no primeiro banco que estiver com a porta aberta e requisitar um polpudo empréstimo ao solícito gerente para ampliar suas instalações, abrir novas filiais, ou expandir sua área de atuação, respire fundo, retome a calma, desanuvie a mente e coloque a empolgação no lugar que ela merece e deve estar: no papel.
O professor de contabilidade da Universidade Estadual de Londrina, Claudenir Tarifa Lembi pede muita calma nesta hora. ''Com a facilidade que hoje se vê para adquirir um empréstimo bancário para modernizar a empresa, expandir, ampliar, os empresários se empolgam, mas muitos se esquecem da possibilidade de não dar certo. O empresário começa a ouvir e a ler que o mercado está favorável, que há muito dinheiro circulando e corre para empreender, mas não planeja o investimento. É o primeiro passo para dar errado'', diz Lembi.
''Um investimento sem planejamento pode comprometer não apenas o futuro, mas o presente da empresa'', alerta o presidente do Sescap-Ldr, José Joaquim Martins Ribeiro. Segundo ele as empresas, por menor que sejam, precisam fazer planejamento. Não é admissível administrar apenas com o ''eu acho que é assim''.
O presidente do Sescap-Ldr lembra do caso de uma empresária que tem uma loja num bairro de Londrina. A loja, segundo ele, tem um bom faturamento, mas quase foi à bancarrota por causa de um sonho. Como os negócios iam bem, a empresária resolveu abrir duas lojas no centro da cidade ao mesmo tempo, sem fazer um planejamento adequado. A empresária confiou apenas na sua experiência. Não funcionou. O faturamento ficou muito aquém do esperado e a loja do bairro não conseguia faturar o suficiente para bancar as duas ''irmãs'' do Centro. Em pouco mais de três meses foi obrigada a fechar as novas unidades e quase perdeu a loja do bairro.
Conforme Ribeiro esta é uma situação muito comum. Segundo ele o normal é a nova unidade começar a reverter o investimento em dois ou três anos. ''Antes disso não tem mágica. Por isto é que o empresário precisa colocar tudo no papel e calcular nos mínimos detalhes o custo, a previsão de faturamento e outras variáveis'', diz Ribeiro.
Ribeiro e Lembi concordam que o empresário é um sonhador por natureza, o que é muito bom. Sem sonhos não se vai a lugar algum. Porém, os sonhos empresariais, para que se realizem, precisam estar embasados em números. ''É claro que as empresas precisam aproveitar o momento e se modernizar. Mas para se fazer tudo isto é preciso ter o sonho na cabeça, mas os pés no chão. Mesmo com um planejamento bem feito, o risco existe e é comum que o plano seja adequado durante o percurso de execução. Imagine o risco então de não ter planejamento'', alerta Lembi.
O primeiro passo para se planejar uma filial ou uma ampliação, ensina Ribeiro, é analisar com cuidado os balanços dos três anos anteriores. Com eles é possível se fazer uma média de entrada de receita, despesas, custo, de fluxo de caixa, de crescimento médio/anual. E só então, baseado nos números, tomar uma decisão.

Fonte: Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina - Sescap-Ldr

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