São Paulo - Diferentemente do que ocorreu nos últimos 20 anos, o candidato que vencer a eleição hoje não terá de vestir um uniforme de bombeiro para apagar incêndios na área econômica. Ele comandará um país com indicadores macroeconômicos de fazer inveja aos antecessores que ocuparam o cargo após o processo de redemocratização do País, na década de 80.
  José Sarney assumiu a presidência da República em março de 1985, um pouco antes da morte de Tancredo Neves. Topou com uma inflação anual de 215% – o porcentual refere-se ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado no ano anterior. Para se ter uma idéia, esse mesmo indicador deve encerrar 2006 um pouco abaixo de 3%.
  Ainda na seara dos índices de preços, a tarefa de Fernando Collor de Mello foi mais ingrata. Em 1989, ano em que foi eleito (sua posse ocorreu em 15 de março de 1990), o IPCA anual atingiu inacreditáveis 1.972%! A história a partir daí é conhecida de todos. Seu governo congelou os depósitos bancários – à vista e a prazo – justamente para combater a
inflação.
  Graças ao Plano Real, Fernando Henrique Cardoso deparou-se com problemas diferentes, mas não menos importantes. Em 1994, a América Latina era chacoalhada pela crise do México, que fez os investidores internacionais correrem da região. Em 31 de dezembro daquele ano, um dia antes de FHC tomar posse, o chamado risco Brasil, medido pelo banco de investimentos americano JP Morgan, estava em 923 pontos.
  Isso significa que o País, naquele momento, pagava 9,23 pontos porcentuais a mais do que os Estados Unidos para obter crédito na praça. Os títulos do governo americano são usados como referência para esse indicador. Hoje, o risco Brasil oscila na casa dos 215 pontos.
  Outro desafio de FHC era consolidar o Plano Real, lançado seis meses antes. Os índices de preços despencavam, mas, àquela altura, muitos apostavam em que voltariam a subir.
  O período que precedeu a reeleição do peessedebista foi bem mais complicado. O mundo havia passado por diversas crises internacionais – com destaque para a da Ásia e a da Rússia –, o real estava sobrevalorizado e a balança comercial de 1998 registrava déficit de US$ 6,5 bilhões. A pressão pela desvalorização da moeda brasileira era forte e acabou acontecendo no início do segundo mandato de FHC. Hoje, o câmbio flutua, o dólar está estável em cerca de R$ 2,15 e a balança comercial deve alcançar superávit de aproximadamente US$ 45 bilhões.
  Em 2002, a possibilidade de o então candidato Lula ser eleito presidente, somada a fragilidades macroeconômicas do País, provocou um enorme
incêndio.
O dólar disparou para a casa de R$ 4,00, a inflação medida pelo IPCA superava 12% e o risco país em 31 de dezembro, um dia antes de Lula assumir o Palácio do Planalto, estava em 1.446 pontos.

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