A economia brasileira cresceu apenas 0,34% no terceiro trimestre (julho-setembro) deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados do IBGE. Foi o pior desempenho nessa forma de comparação desde a queda de 0,58% no terceiro trimestre de 1999. O crescimento acumulado no ano caiu de 3,12% até junho para 2,17% até setembro, e o crescimento trimestral sobre o trimestre anterior foi de apenas 0,05%. Nos 12 meses fechados em setembro, a economia cresceu 2,56%.

Os números preliminares do PIB (Produto Interno Bruto) referentes ao terceiro trimestre revelaram pela primeira vez o forte peso do racionamento de energia elétrica, iniciado em junho, sobre o desempenho da economia. Com uma queda de 12,1%, os serviços industriais de utilidade pública, dos quais a energia elétrica representa 90%, foram decisivos para a retração de 1,29% do PIB industrial na comparação com o mesmo trimestre de 2000. Foi também o pior desempenho da indústria desde o terceiro trimestre de 1999 (menos 2,10%).

O mau desempenho da indústria foi compensado por um crescimento de 3,51% na agropecuária. Os serviços, que têm comportamento pouco volátil, cresceram 1,54% no terceiro trimestre sobre o mesmo período de 2000. Na composição do PIB, a agropecuária pesa 7,47%, a indústria, 35,8%, e os serviços, 56,73%.

''A redução da oferta de energia foi decisiva para explicar a desaceleração da economia'', disse Eduardo Nunes, chefe do Departamento de Contas Nacionais do IBGE. O aumento dos juros (menos crédito), provocado por um cenário externo desfavorável, foi o outro fator determinante para que o crescimento do PIB entrasse em curva declinante.

As taxas trimestrais, na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, começaram o ano com com crescimento de 4,5%. No segundo trimestre, houve uma queda brusca para 1,82%. No terceiro, outra queda forte no ritmo de crescimento, para 0,34%.
Na comparação com o trimestre anterior, a economia brasileira praticamente não tem crescido neste ano. De modesto 0,17% no primeiro trimestre ela desceu para 0,02% no segundo e para 0,05% no terceiro.
''Na nossa interpretação, esses números sugerem uma pequena estabilidade'', disse Roberto Olinto, coordenador do PIB Trimestral do IBGE, em relação aos dados dos dois últimos trimestres.
O ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse ontem que tanto fatores internos como externos tiveram impacto negativo sobre o PIB brasileiros neste ano, ''o que foi lamentável''. Citou os atentados nos EUA, as crises argentina e turca, a recessão sincronizada dos países mais ricos EUA, Japão e Alemanha e o racionamento. ''Foi um ano incrivelmente complicado.''
Mas, mesmo com todas as influências, Malan se mostrou otimista: ''Apesar disso tudo, o Brasil, no entanto, cresceu 3,12% no primeiro semestre. E há muitos setores que estão crescendo.''
Os números do PIB até setembro ficaram bem próximos à última previsão feita pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), órgão do Ministério do Planejamento. As previsões eram de crescimento de 0,4% na comparação do trimestre contra o terceiro trimestre do ano passado.

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