Economia entra em ressaca depois do carnaval
A crise mundial deve atingir seu ápice em março do próximo ano, logo após a ressaca do carnaval. Quebra de empresas, compra de bancos, demissões e fechamento de indústrias devem ser a tônica na Europa, Japão e EUA. Isso acontecerá, mesmo diante de injeções vigorosas de dinheiro por parte dos governantes no mercado, que tentam em vão aumentar o crédito para aquecer o consumo. A desconfiança das economias pelo mundo afora também pode gerar um ambiente protecionista, fazendo com que os países se voltem para o mercado interno. Esta análise do professor de Economia da UEL é acrescida da visão de que o Brasil continuará a crescer, principalmente no mercado interno.
''Vamos sentir a crise menos que a Europa e os EUA'', diagnostica o estudioso. Arturo entende que a situação ficará difícil no final do primeiro trimestre. ''Ficará complicado para o comércio pela falta de crédito'', destaca. Embora a safra atual esteja praticamente plantada e comercializada, o economista prevê que no próximo ano ficará mais difícil o plantio. O consolo, segundo ele, é que a população mundial não vai deixar de consumir alimentos, mesmo em menores quantidades.
Um dos termômetros da economia americana citado pelo especialista é a gasolina, que baixou em 20% o consumo do combustível naquele país nos últimos dois meses. Segundo ele, isto demonstra que a economia nos EUA está numa situação de desaceleração continua. O economista diz que depois da quebradeira e dos ajustes da economia em 2009, o mundo levará cerca de 5 anos para voltar aos mesmos níveis de produtividade e emprego de anos anteriores. ''Enquanto não passar esta desconfiança, os bancos não vão emprestar para que as empresas possam crescer'', sintetiza.
Mas Arturo descreve a situação brasileira como até certo ponto privilegiada. Segundo ele, o País conta com bancos fortes, além de uma agricultura desenvolvida e competitiva. ''O ideal era crescermos 7% do PIB ano que vem, mas devemos ficar nos 4%'', prevê, ao acrescentar que o setor de construção civil também manterá o mesmo nível de atividade, devido contratos já celebrados. ''Mas é muito cedo para falar que países emergentes vão faturar com a crise'', finaliza. (E.P.F.)





