'Economia é superior ao lixo político'
São Paulo - Os analistas acreditam que o risco de contaminação da economia do país pelos escândalos do setor político ainda são baixos. Na opinião de Júlio Sérgio Gomes de Almeida, diretor-executivo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), o único perigo é de queda no investimento estrangeiro direto, ''por medo e desconhecimento''. ''Todo mundo sabe que nós temos um lixo político'', diz. ''Já a economia, que a gente sempre critica, ainda é muito superior à política.''
Luis Fernando Lopes, economista-chefe do Pátria Banco de Negócios, acha que a deterioração política começou já no ano passado, com os casos Waldomiro e Vampiros da Saúde. E os empresários estão cada vez mais assustados.
Segundo analistas, uma das consequências da instabilidade é reduzir a propensão ao consumo. Com o clima das denúncias, o consumidor fica com medo de perder o emprego, o industrial adia investimento e todo mundo põe o pé no freio.
''O risco é o escândalo continuar, envolver pessoas chave no governo e causar algum tipo de revolta na população'', pondera Tomas Malaga, economista-chefe do Banco Itaú. ''Com isso, nas próximas eleições, a população pode eleger algum candidato mais populista'', alerta Malaga.
O mercado financeiro, que tanto esperneou às vésperas da eleição de Lula, agora prefere a continuidade do presidente petista no poder a candidatos populistas. Nomes menos ortodoxos, como os peemedebistas Anthony Garotinho (governador do Rio) e Roberto Requião (governador do Paraná), causam arrepios à maioria dos analistas, pois complicariam a administração da dívida pública e predisporiam ao rompimento de contratos. (P.C.M.)





