Para um ano que começou com inflação e juros em alta, os resultados da economia, pelo menos no Paraná, ficaram acima das expectativas. Nem mesmo a crise na Europa, que se acentuou nos últimos meses, foi capaz de segurar a produção no Estado. Segundo o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico Social (Ipardes), O Produto Interno Bruto (PIB) do Paraná deverá crescer 4,1% no ano, superando a expansão estimada para a economia brasileira (3,0%).
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção do segmento manufatureiro paranaense evoluiu 5,2% no acumulado de janeiro a outubro de 2011, em comparação a igual período de 2010, suplantando a média nacional (0,7%).
Também segundo o IBGE, o volume de vendas do comércio varejista do Estado apresentou alta de 8,9% nos dez primeiros meses deste ano, contra 7,3% no Brasil. Já nas exportações, foram registradas receitas da ordem de US$ 16 bilhões no acumulado de janeiro a novembro de 2011, valor 22,3% superior ao contabilizado em idêntico período de 2010.
Somente a produção de grãos sofreu declínio (-3%), devido às geadas do meio do ano que prejudicaram o trigo e o milho. Mesmo assim, o Estado segue líder nacional do segmento.
O coordenador regional da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Clóvis Coelho, diz que, apesar de o câmbio ter ''castigado'', a indústria paranaense teve saldo positivo em 2011. ''O consumo interno está grande e os juros estão estáveis'', justifica. Um setor de destaque é o automotivo, centralizado na Região Metropolitana de Curitiba (RMC).
Para Coelho, 2012 seguirá o mesmo ritmo. ''Temos uma moeda estável e muitos projetos em andamento que irão manter a indústria aquecida'', acredita, completando que a inflação parece estar sob controle. ''O que precisamos é universalizar a educação e fazer capacitação profissional''. O coordenador da Fiep acredita que, no próximo ano, o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) poderá ajudar a resolver o problema da falta da mão de obra qualificada.
Londrina
Especificamente em Londrina, a construção civil se destaca. O setor deve fechar o ano com 6% de crescimento, pouco acima da média nacional. ''Foi um bom ano dentro das expectativas que tínhamos'', afirma o presidente do Sindicato da Construção Civil (Sinducon Norte do Paraná), Gerson Guariente. Já o número de pessoas contratadas pelo setor cresceu 9%. No ano passado, a construção civil havia crescido 12% na cidade na comparação com 2009. ''Mas isso ocorreu porque, no primeiro semestre de 2009, a gente praticamente parou devido à crise de 2008'', explica.
O volume financiado em 2011 deve ficar em torno de R$ 1,4 bilhão. ''Como notícia ruim neste ano tivemos a não aprovação pela Câmara do Plano Diretor'', afirma. Segundo Guariente, o projeto ''clareia uma série de regras'' para o setor. ''Quando aprovado, vai ampliar o perímetro urbano da cidade, incorporando mais áreas para loteamentos'', declara. A oferta de novas áreas, segundo o presidente do Sinduscon, vai baratear o valor dos terrenos, beneficiado a construção civil e os compradores de imóveis. 2012 deve ser um ano também muito positivo para o setor. ''Além do Plano Diretor, temos a expectativa de retomada das obras públicas'', afirma.

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