Economia do País pára na quarta-feira
Empresas vão suspender produção na estréia do Brasil contra a Escócia, mas só temem grandes prejuízos se a Seleção perder
Agência Estado
Os principais setores de atividadade econômica param quarta-feira (dia 10), às 12h30, para assistir ao primeiro jogo da Seleção Brasileira de Futebol, contra a Escócia. Muitos trabalhadores da indústria já compensaram antecipadamente as horas. Outros deverão esticar a jornada após a partida de estréia da Copa do Mundo para manter o ritmo da produção. Só uma minoria terá de abrir mão do espetáculo, por trabalhar em setores cuja produção é contínua, como as indústrias petroquímicas e de papel e celulose. Não podem interromper o processo produtivo, sob pena de danos irreparáveis aos equipamentos.
Na avaliação dos empresários, o prejuízo das horas paradas durante a Copa do Mundo será pequeno. Prejuízo maior haverá se o Brasil não tiver bom desempenho em campo e o moral dos trabalhadores, da população e, em especial, dos consumidores baixar, acreditam. A alegria da vitória, caso ocorra, deve aumentar a confiança no futuro e, consequentemente, levar a mais vendas, afirma o presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Benjamin Funari.
Nem a produção e tampouco as vendas serão prejudicadas nas indústrias cujos processos são flexíveis e submetidos a um planejamento que permita o atendimento das encomendas no momento e no volume indicado pelos clientes, diz o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Papelão Ondulado (ABPO), Paulo Sérgio Perez. No caso das indústrias de papelão ondulado, os funcionários terão a hora do almoço desta quarta-feira prolongada para que possam assistir ao jogo nos aparelhos de TV instalados nos refeitórios. Terminada a partida, a produção será retomada.
Uma eventual derrota poderá prejudicar o desempenho dos funcionários. A vitória, ao contrário, poderá levar à euforia, o que também atrapalha a concentração, afirma o diretor do Departamento da Micro e Pequena Indústria da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Carlos Eduardo Uchôa Fagundes. O andamento da produção poderá ser ainda mais comprometido se a Seleção chegar à final, acredita. Fagundes já conta com os atrasos nos dias seguintes às partidas em que a seleção for vencedora. ‘‘Os torcedores sairão para comemorar, beber e certamente não terão condições para acordar a tempo para chegar aos locais de trabalho.’’
A paixão pelo futebol e a consequente mudança na rotina dos torcedores levou algumas grandes indústrias a optar pela dispensa dos funcionários. Na Asea Brown Boveri (ABB), empresa de bens de capital do setor elétrico, com 4 mil funcionários e cinco fábricas no País, não haverá expediente nos dias de jogos. Apenas nas unidades de produção onde há urgência na entrega de encomendas serão mantidas turmas em atividade.
As horas não trabalhadas já foram compensadas na ABB. Caso o Brasil não chegue à final, as folgas serão canceladas e os funcionários terão as horas incluídas no banco de horas, conforme negociação prévia com os sindicatos. A compensação prévia das horas não trabalhadas também foi providenciada pela Ericsson, indústria de equipamentos de telecomunicações, que, no entanto, não suspendeu o expediente. Os funcionários serão dispensados três horas antes do jogo, para que possam assistir aos jogos em casa.
Uma boa campanha da seleção brasileira deverá trazer muitos benefícios ao mercado, à atividade econômica e até à campanha pela reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso, acredita o empresário Mario Bernardini, fabricante de máquinas. Os eventuais prejuízos na produção, segundo afirma, serão amplamente compensados pelo clima de otimismo. ‘‘Nenhum problema, especialmente para as indústrias com elevada capacidade ociosa, como acontece com o setor de máquinas.’’

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