Economia do País está mais forte contra crise, diz Ipea
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quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Victor Lopes <br> <br> Reportagem Local 
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou ontem, em Brasília, o comunicado ''Brasil ante Crise Financeira Internacional'', com considerações sobre a situação macroeconômica brasileira e com uma comparação da situação atual com aquela que se observava em 2008. O objetivo é mostrar os espaços de resposta para a intervenção do governo nestes casos. O comunicado aponta também as vulnerabilidades que se observam no País, destacando a importância de realizar a escolha certa antes de uma intervenção, que privilegie uma melhora do padrão de crescimento nacional.
Claudio Hamilton, pesquisador do Ipea, explica que a publicação é importante para discutir o papel do Brasil frente aos problemas econômicos que surgem pelo mundo. ''Há alguns sinais negativos no contexto internacional que se juntam com um receio de que acontecesse problemas parecidos com os de 2008. A ideia é tentar mostrar que a situação do Brasil atual dá diversos indícios que estamos bem mais sólidos do que há três anos''.
Entre as condições atuais favoráveis, Hamilton comenta que a situação fiscal do Brasil continua sob controle e que o Banco Central tomou uma série de medidas de combate a especulação no mercado de derivativos cambiais. De acordo com o relatório, ''em 2008, logo após o anúncio da falência do banco Lehman Brothers, descobriu-se que diversas empresas brasileiras estavam fortemente alavancadas em derivativos cambiais. Grandes grupos, como Sadia e Aracruz, registraram perdas expressivas, por manter elevadas apostas na continua valorização da moeda nacional'. ''As medidas do BC nos dão esperança que a fragilidade que tivemos neste aspecto em 2008 não vai se repetir agora'', avalia o pesquisador.
Já em relação aos pontos vulneráveis mais evidentes, um dos principais trata do perfil da balança comercial brasileira. A grande questão é que está ocorrendo um processo de primarização da pauta exportadora brasileira, que está relacionada ''à recente alta dos preços das commodities, à importância comercial da China (que tem perfil de demanda em produtos primários) e à valorização do câmbio, que penaliza os produtos industrializados''. ''Estamos exportando cada vez mais bens primários e menos bens industrializados. Mas no geral, o documento aponta que a economia brasileira está robusta e preparada para enfrentar sobressaltos externos'', conclui o Hamilton.


