Economia deverá ser afetada por balança comercial
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sexta-feira, 03 de fevereiro de 2012
Andréa Bertoldi <br> Equipe da Folha 
Curitiba - O saldo negativo da balança comercial brasileira em janeiro de US$ 1,29 bilhão pode ser explicado não apenas pela crise que atinge Europa e Estados Unidos, mas pelo aumento das importações de petróleo. O total de importações do primeiro mês foi de US$ 17,4 bilhões. Deste montante, US$ 2,6 bilhões foram de hidrocarboneto.
O economista do Departamento Econômico da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Roberto Zurcher, explicou que a importação de petróleo aumentou em função do consumo de combustível com a elevação da venda de automóveis no País.
Ele lembrou que a balança vinha decrescendo entre 2007 e 2010. Em 2011, ocorreu aumento do preço das commodities e elevação das exportações de alimentos. ''Em 2012, o preço dos alimentos e das commodities não devem ficar tão altos porque a economia mundial está crescendo menos com a crise da Europa e dos Estados Unidos'', disse.
Segundo ele, as exportações do Brasil estão comprometidas com a crise europeia. Além disso, a Argentina criou uma série de barreiras para importar de países do Mercosul. ''Neste ano, tudo vai depender do preço das commodities'', disse. No entanto, ele destacou que há expectativas de que a Europa comece a crescer no segundo semestre.
No Brasil, deve ocorrer um aumento das importações de produtos prontos. Ele não acredita que a balança feche negativa em 2012, mas abaixo do ano passado e com saldo próximo de US$ 20 bilhões. ''Como não estamos fazendo muito esforço para o desenvolvimento do País, dependemos do mercado externo'', destacou.
Zurcher acredita que a influência do resultado da balança comercial pode ser negativa para o crescimento do País, já que poderia ter impacto negativo para o Produto Interno Bruto (PIB).
O vice-presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef), Clécio Chiamulera, não vê com muito otimismo o resultado da balança para 2012. Ele prevê que o saldo fique muito próximo a 2011.
''Não foi feito nada para melhorar a competitividade das exportações brasileiras'', destacou. Para ele, o País corre até o risco de crescer menos em 2012, dependendo do desempenho da balança comercial.
Nesta semana, a secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Tatiana Prazeres, disse que o mau resultado de janeiro é um motivo a mais para o governo lançar medidas de estímulo à exportação.


