Curitiba - A economia brasileira deve ter um ano em compasso de espera em 2014 com baixo crescimento. A previsão é que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça cerca de 2,5%. A inflação deve ficar comportada na casa dos 6% por conta do aumento dos juros e do freio que o governo vem colocando nos preços administrados, como o dos combustíveis e da energia elétrica. A taxa básica de juros da economia, a Selic, pode chegar a até 11% ao ano e o dólar deve permanecer no primeiro trimestre com cotação de R$ 2,20, mas pode chegar a 2,40 até o final do ano. As previsões apontam para um ano ‘’morno’’ com a economia ‘’andando de lado’’.
Ainda o governo deve continuar a apostar na fórmula de incentivar o consumo, mas não deve fazer a sua lição de casa que seria a de reduzir os gastos públicos. A opinião é do diretor de economia da Associação Nacional dos Executivos de Finanças Administração e Contabilidade (Anefac), Andrew Frank Storfer. A associação reuniu especialistas ontem em São Paulo para analisar o futuro da economia brasileira em 2014.
Roberto Vertamatti, que também é diretor de economia da Anefac e participou do debate, acredita que os problemas mais sérios virão ainda depois das eleições. Ele explicou que a inflação é formada 30% pelos preços administrados (água, energia, telefone, combustíveis) que subiram 1,5% nos últimos 12 meses e 70% pelos preços livres que tiveram aumento de 8,5% no mesmo período, o que leva a uma inflação média de 6% ao ano. Por isso, a percepção da população é que os preços dos alimentos subiram mais que a inflação.
Ele acredita que, seja quem for o novo presidente da República, terá problemas com a inflação após as eleições. Vertamatti acredita que o governo não terá como manter os preços administrados, como a gasolina, sem aumento. Lembrou que a presidente Dilma Rousseff reduziu as tarifas de energia no começo deste ano, mas as empresas estão com problema de caixa. Para ele, uma das formas de controlar a inflação seria diminuir os gastos públicos e não apenas aumentar juros.
As previsões também apontam para um início de recuperação da Europa e para a continuidade de um processo de melhoria da economia americana, o que deve ajudar o Brasil. Vertamatti acredita que a China cresça cerca de 7% no próximo ano, mas se volte para o mercado interno.
Ele destacou que o Brasil teria que crescer cerca de 5% ao ano para chegar a ter uma renda per capita de país desenvolvido. Nos EUA, a renda per capita anual é de US$ 50 mil, na Europa US$ 40 mil e no Brasil US$ 12 mil. A da China é de US$ 6 mil.
Vertamatti ainda prevê que a agricultura deve seguir em ritmo positivo no próximo ano. No entanto, a indústria pode patinar por falta de investimentos, mão de obra cara em função do custo tributário e produtividade baixa. Ele acredita que o setor de serviços também terá crescimento baixo porque as famílias estão muito endividadas, além disso, o custo dos serviços está alto e subiu mais que a inflação.
Storfer acredita que o governo vai fazer o possível para não realizar grandes mudanças na economia em 2014 em função das eleições. Para Vertamatti os principais motivos que inibem o crescimento da economia são os gastos públicos elevados, o excesso de burocracia, o nível alto de corrupção que afasta investimentos e a falta de aplicação de mais recursos para melhorar o nível de educação.

Imagem ilustrativa da imagem Economia deve ter ano ‘morno’ em 2014
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