O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) está prevendo um crescimento da economia de 4,5% no ano que vem, puxado pela agropecuária, com crescimento de 6,5% previsto para 2001. Os números estão no Boletim Conjuntural do Ipea divulgado ontem. ‘‘A expectativa do setor é muito boa para o ano que vem’’, diz o coordenador do Grupo de Acompanhamento Conjuntural (GAC) do Ipea, Paulo Levy.
Ele observa que o clima está favorável à agricultura, já que as chuvas começaram mais cedo neste fim de ano. ‘‘Além disso, há indicações de fortes aquisições de compras de equipamentos e máquinas agrícolas e a área plantada aumentou’’, comentou Levy. Para este ano, o crescimento da agropecuária é estimado pelo IPEA em 2,5% e quem puxa o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), previsto para 4%, é a indústria.
A previsão do Ipea para a indústria é de redução do ritmo de crescimento de 6,4% em 2000 para 5,6% em 2001. ‘‘O nível de produção já está bem alto e agora, para crescer, passa a depender de investimento’’, diz Levy. Por isso mesmo e porque vários segmentos da indústria estão próximos do uso pleno de sua capacidade instalada, o Ipea prevê uma aceleração no ritmo de crescimento dos investimentos, de 3,5% para 7,8% em 2001.O Ipea também prevê que o consumo aumente menos no ano que vem que este ano. Para 2000, a previsão de aumento de consumo é de 5,5% e para 2001 é de 3,7%.
Confirmação A instabilidade no cenário internacional abalou o otimismo do presidente do Banco Central, Armínio Fraga. Ele esperava um crescimento da economia de 5% ano que vem, mas ontem, em depoimento no Congresso Nacional, admitiu ter revisto sua projeção para algo próximo a 4,5%. Segundo Fraga, a folga que ele acreditava ter para acelerar o crescimento acabou por causa dos efeitos negativos do aumento do preço do petróleo no mercado internacional, do aumento dos juros cobrados pelos investidores nas emissões de títulos feitas pelo governo no exterior e também pela recessão na América Latina. ‘‘O ambiente externo ainda é preocupante’’, disse Fraga. ‘‘Eu achava que tinha folga para 2001, mas os choques de oferta têm atrapalhado a nossa vida.’’

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