Com mais de 358 mil habitantes, Ponta Grossa (Campos Gerais) tem a quarta maior população do Paraná. O município, fundado há 202 anos, já viu a proximidade com a capital como uma condição desfavorável. Hoje, no entanto, a posição geográfica da cidade é considerada uma vantagem pela prefeita Elizabeth Schmidt (União), que possibilitou o avanço da industrialização e contribuiu para o desenvolvimento social e econômico.

A primeira mulher eleita para comandar a Prefeitura de Ponta Grossa, que está em seu segundo mandato consecutivo, esteve em Londrina nesta quinta-feira (14) para falar dos avanços e desafios que tem enfrentado na gestão municipal aos membros do Fórum Desenvolve Londrina.

Ao longo deste ano, a entidade que se debruça sobre os indicadores de Londrina, identificando gargalos e oportunidades, traz ao Fórum especialistas em administração e gestores públicos com o objetivo de trocar experiências.

Na palestra desta quinta-feira, Schmidt disse que tenta superar alguns gargalos apostando no que considera vantagens estratégicas, como a localização de Ponta Grossa, no centro de um entroncamento logístico rodoferroviário.

Os números mostram o desenvolvimento experimentado por Ponta Grossa nos últimos anos. A prefeita destacou que o Valor Adicionado do município, que corresponde à riqueza geradas pelas atividades econômicas, saltou de R$ 12,593 bilhões em 2021 para mais de R$ 21,77 bilhões no ano passado.

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Quando se divide o Valor Adicionado pela população, o resultado do cálculo per capita salta de R$ 35,1 mil para R$ 60,7 mil no período.

Na composição do Valor Adicionado Fiscal em 2024, o segmento da indústria teve a maior participação, com mais de R$ 14 bilhões, o que corresponde a 64,57%. “A cidade, que há 50 anos era eminentemente agrícola, agora é industrial. Houve uma inversão enorme”, apontou Schmidt. A agricultura hoje, responde por apenas 5,16% da economia, com R$ 1,12 bilhão, o menor percentual entre as atividades econômicas.

“A sedução das grandes indústrias que estamos fazendo está contribuindo muito para que esse salto de industrialização aconteça e nós sejamos a primeira cidade do interior do Paraná a que se refere à arrecadação de ICMS”, declarou Schmidt.

Em relação ao Paraná, Ponta Grossa tem registrado crescimento superior e o mesmo acontece na comparação com as principais cidades do interior do Estado. Ponta Grossa deteve o maior Valor Adicionado em 2024, à frente de Maringá, Foz do Iguaçu , Cascavel e Londrina, nesta ordem. Londrina teve R$ 12,79 bilhões.

A projeção é que Ponta Grossa continue avançando nos próximos anos. Em 2025, deve ter aumento de 9,00%, chegando a 14,00% em 2028. “São projeções muito conservadoras”, frisou a prefeita.

Na lista dos principais desafios a serem enfrentados, afirmou Schmidt, a qualificação e capacitação de trabalhadores aparece no topo. Depois, estão a estrutura de energia, gás e água, que tem levado grandes empresas a investirem em subestaçõees próprias, a demora na liberação de licenciamentos federais e estaduais para instalação de novas empresas, e as falhas na questão logística, especialmente no setor aeroportuário.

“Investiram milhões em um aeroporto que está entre a rodovia, a ferrovia e três rios. A pista é pequena e só desce aviões ATR. A única empresa que opera esse modelo de aeronave é a Azul. Se a companhia deixar de operar, ficamos sem voos”, disse a prefeita.

Para conseguir ampliar a pista e possibilitar pousos e decolagens de aeronaves maiores, ela tenta mudar parte da linha férrea de lugar, mas este é um processo demorado.

Estou indo atrás porque quero que a ferrovia altere a linha férrea para que o aeroporto possa ter a pista ampliada e permita pousos e decolagens de aviões de maior porte.

Para compensar as desvantagens, Schmidt oferece incentivos, como a diminuição da burocracia no processo de instalação de empresas, investimentos em infraestrutura para instalação de novas indústrias, implementação de políticas públicas voltadas a pequenas, médias e grandes empresas e promoveu a atualização do Plano Diretor e do Planejamento Imobiliário.

Ao mesmo tempo, adotou medidas de elevação de arrecadação, abolindo as doações de terrenos, reviu a planta genérica, cuja defasagem chegava a 50 anos, promoveu um programa de regularização fiscal do ITBI e do IPTU e nesta semana, a Câmara de Vereadores aprovou um projeto que deverá aumentar a arrecadação com o ISS.

A matéria aprovada pelo Legislativo deverá regulamentar as plataformas de hospedagem, como Airbnb e Booking, e com a medida, passará a ser cobrado ISS dessas empresas. Para entrar em vigor, a lei ainda deve ser sancionada pela prefeita. Ponta Grossa será a pioneira no Estado nessa iniciativa.

“É uma questão nova que precisava dar o primeiro passo. Ainda não veio para sanção, ainda tenho que analisar as emendas, se vai precisar editar ou não, mas acho que o caminho é esse. Todos estão ganhando dinheiro, investindo e a justiça fiscal precisa acontecer.” A prefeita não soube precisar o quanto o município deve ganhar em arrecadação com o aumento do recolhimento do imposto.

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