O presidente da Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica (GCE), ministro Pedro Parente, informou ontem, ao fazer um balanço dos quatro meses de racionamento, que a economia de energia elétrica registrada no período, nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, foi de 19,7% e, no Nordeste, de 18,9%. Na Região Norte - Estados do Pará, Tocantins e Maranhão, para efeitos do levantamento -, a redução do consumo foi de 19,8%, no período de 15 de agosto a 30 de setembro, segundo dados leva ntados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
O ministro disse que, mesmo com a diminuição na economia de energia nas últimas semanas, o saldo ainda é positivo nos reservatórios das hidrelétricas em relação ao limite mínimo estabelecido pelo governo, que é a curva-guia. No Sudeste e Centro-Oeste, os reservatórios fecharam o mês de setembro em 4,21 pontos porcentuais acima dessa curva e, no Norte, em 0,48 ponto porcentual positivo. Parente chamou atenção para a afluência aos reservatórios da região Nordeste, que está apenas dois pontos porcentuais acima da previsão.
Ele admitiu que o Nordeste continua sendo uma preocupação, porque a economia de energia na região tem sido menor que nas demais sob racionamento. Nos dois primeiros dias de outubro, o Nordeste economizou apenas 11,3% para uma meta de 20%. Nos mesmos dois dias, a economia no Sudeste e Centro-Oeste foi de 14,8% e, no Norte, de 17,9%.
Já para a Associação Brasileira das Grandes Empresas Geradoras de Energia Elétrica (Abrage), foram ''muito bem-sucedidos'' os quatro primeiros meses do plano de racionamento de energia elétrica implementado pelo governo federal. ''Estamos com os níveis dos reservatórios acima do mínimo estabelecido pela curva-guia e mal está começando o período chuvoso. O trabalho tem sido muito bem-sucedido'', comentou ontem o presidente da Abrage, Flávio Neiva.
Segundo ele, caso as chuvas mantenham a média histórica dos últimos 70 anos, o racionamento deverá perdurar até abril do próximo ano. ''Se tivermos chuvas superiores à média, poderemos sair do racionamento em fevereiro. Antes disso, é muito arriscado'', argumentou.
Na avaliação de Neiva, caso as chuvas atinjam a média histórica, os reservatórios das regiões Sudeste e Centro-Oeste poderão atingir um índice entre 49% e 52% de armazenamento de águas, um volume suficiente para que o programa de racionamento seja interrompido a partir da metade do segundo trimestre de 2002.

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