As três Regiões afetadas pelo racionamento de energia elétrica desde 1º de junho – Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste – não conseguiram cumprir a meta de redução de 20% no consumo nos dez primeiros dias do mês, conforme dados do Operador Nacional do Sistema (ONS). A frustração no cumprimento desse porcentual logo no início de junho será debatida hoje pelo núcleo-executivo da Câmara de Gestão da Crise de Energia (GCE) e deverá fundamentar as suas decisões sobre a incorporação do Norte ao plano de economia de eletricidade.
No Sudeste e no Centro-Oeste, a redução no consumo atingiu apenas 16,0% em relação à média de uso de eletricidade de maio a julho do ano passado. No Nordeste, o desempenho foi um pouco melhor. O racionamento atingiu 17,4%. O consumo de energia no horário de pico, 18 horas, já apresentou queda. O ONS constatou que, em 24 de abril, alcançou 56.000 Megawatts/hora (MW/h). No último dia 7, esse consumo havia caído para 43.900 MW/h.
Essas informações constarão do primeiro boletim semanal de acompanhamento do plano, que será divulgado hoje pela GCE. A frustração das metas nos dez primeiros dias de junho não significa que, ao final do mês, as três Regiões não consigam reduzir em 20% o seu consumo de energia. Os dados do ONS referem-se a médias de macro-regiões – o Nordeste, de um lado, e o Sudeste e o Centro-Oeste, de outro.
Portanto, nada impede que alguns Estados ou mesmo municípios isolados tenham alcançado ou até mesmo superado a meta nesse período. Norte - Com base na análise dos números do ONS, entretanto, a GCE deverá anunciar amanhã a extensão do racionamento de energia para o Norte do País. A meta de redução deverá atingir 15%, em relação à média de consumo de energia de maio a julho de 2000. O racionamento começará no dia 15 de julho e terá como principal objetivo garantir a transmissão de 1.000 Megawatts (MW) médios para o Nordeste.
O anúncio deverá ocorrer logo depois de uma reunião entre o presidente da GCE, Pedro Parente, e os governadores do Pará, do Maranhão e do Tocantins. Conforme informou uma fonte da GCE, o governador paraense, Almir Gabriel (PSDB), já concordou com o racionamento de 15%.
Roseana Sarney (PFL), do Maranhão, e José Wilson Siqueira Campos (PFL), do Tocantins, ainda resistem a essa idéia. Todos os três enfrentam pressões do comércio e da indústria de seus Estados, que se mantêm contrários à inclusão no plano federal.
A mesma fonte informou que a reunião terá o objetivo de aliviar essas pressões sobre os governadores e a resistência de Roseana e de Siqueira Campos. Durante o encontro, Pedro Parente deverá deixar claro que o governo federal não abrirá mão do racionamento no Norte.
Também deverá explicar que trata-se de uma situação crítica, que afeta todo o País, e que a colaboração desses Estados é fundamental, dada a interligação do sistema elétrico no País.
Até a primeira hora de segunda-feira, a situação dos reservatórios das hidrelétricas do País ainda correspondia às expectativas do ONS. No Sudeste e Centro-Oeste, o nível dos reservatórios mantinha-se em 29,34% – apenas 0,36 ponto porcentual abaixo da estimativa para o dia 30 de junho. No Nordeste, onde a situação é a mais crítica, o nível de água chegou a 26,56%, pouco acima dos 23,0% previstos para o final do mês.
No Sul, que deverá entrar voluntariamente no plano de racionamento, os reservatórios apresentam nível de água de 86,4%. Dois dias antes, estava em 85,2%. Mas a estimativa do ONS para 30 de junho é de 99,5%. No Norte, o volume de água é de 86,01%, e a meta para o final do mês é de 75,4%.

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