Economia cresceu 3% até março e a indústria é o novo 'carro-chefe'
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quinta-feira, 11 de maio de 2000
Agência Estado Do Rio 
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou ontem a primeira revisão do Produto Interno Bruto (PIB) de 1999, que passou de 0,84% para 1,01%. O resultado contraria todas as previsões do ano passado, que apontavam um índice negativo. No primeiro trimestre deste ano, o PIB cresceu 3,08% em relação ao mesmo período do ano passado e revelou uma mudança expressiva em relação a 99: a partir de agora, a indústria, e não a agropecuária, vem sendo a responsável pelo crescimento econômico.
Produção industrial, 5,6% maior que no mesmo período de 99, puxa a taxa de expansão e desbanca a atividade agropecuária
Um dado significativo, levando-se em conta que o peso da agropecuária no cálculo do PIB é de cerca de 8%, enquanto a participação da indústria supera 30%. O restante, cerca de 60%, cabe ao setor de comércio e serviços. O PIB da indústria cresceu, nos três primeiros meses do ano, 5,69%, um resultado centrado no bom desempenho dos segmentos de automóveis, bens de consumo duráveis e bens de capital.
Desde o terceiro trimestre de 1997, quando registrou elevação de 5,64%, o PIB industrial não tem um resultado tão favorável. De lá para cá, houve taxas positivas de crescimento, porém bem menores, afirma Roberto Olinto Ramos, chefe do Departamento de Contas Nacionais do IBGE. O último resultado melhor do que o atual foi o do segundo trimestre de 97, antes da crise asiática, com 7,67%.
Estes índices porém ainda estão longe de saldos recordes como o do primeiro trimestre de 1995, que apresentou taxa de crescimento do PIB industrial 14,20%. Na época, nos meses que sucederam a criação do real, a demanda estava tão aquecida que o governo teve de tomar medidas para reprimir o consumo, como o aumento das taxas de juros e o aumento dos compulsórios sobre depósitos à vista e a prazo. Segundo Olinto, a elevação do resultado de 99 deveu-se à catalogação dos dados definitivos da agropecuária e transportes.
Este índice ainda sofrerá mais algumas revisões até 2002, quando sairá o resultado definitivo. A demora, segundo ele, é causada pelo atraso na disponibilidade de informações, para o IBGE dos balanços das empresas. Em julho, quando o instituto anunciar o resultado do segundo trimestre deste ano, fará também a divulgação da taxa de crescimento real e valor do PIB em 99. Mas, mesmo este saldo, sobre o qual será calculada a variação dos impostos, ainda será provisório. No ano que vem, sairá o resultado semi-definitivo e, em 2002, o definitivo, com a atualização dos dados.
A maior variação do PIB na década foi em 1995, com 9,62%. Para este ano, o governo trabalha com a possibilidade de crescimento de 4% na economia. Olinto não concorda em fazer previsões para o ano e nem comenta se a meta governamental é factível. Mas, os resultados são animadores, especialmente pela mudança nos líderes do crescimento.
O PIB do primeiro trimestre foi resultado do crescimento de 5,69% na indústria, de 2,28% nos serviços e de uma queda de 0,84% na agricultura. Setores intensivos em capital estão puxando o bom desempenho. No setor de bens de capital, estamos verificando um dado que não ocorreu no ano passado: o crescimento agora é espalhado por várias categorias, enquanto em 99 ficou basicamente concentrado nos equipamentos para a agropecuária.


