Economia crescerá só 2,7% este ano, segundo o IPEA
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quinta-feira, 09 de agosto de 2001
Agência Estado<BR>Do Rio de Janeiro 
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou ontem uma nova revisão para a estimativa do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2001, com previsão de crescimento de 2,7%, ante 4,3% previstos no início do ano. O coordenador do Grupo de Acompanhamento Conjuntural do Ipea, Paulo Levy, disse que a revisão foi motivada pela conjunção entre racionamento energético, alta dos juros e instabilidade cambial. Ele trabalha com a perspectiva de prorrogação do racionamento de energia até o final do primeiro semestre de 2002, com progressiva desaceleração da economia do País.
No caso específico da redução do consumo de energia, a projeção de impacto vai até o primeiro trimestre de 2002, quando o PIB deverá crescer apenas 0,5%, ante 4,1% nos três primeiros meses deste ano, de acordo com o instituto. Apesar das dificuldades resultantes do racionamento no início do próximo ano, Levy avalia que o desempenho do PIB será melhor (3,3%), já que a economia deverá se recuperar no segundo semestre.
Para este ano, os impactos do racionamento serão significativos também sobre a produção industrial, na avaliação do Ipea. A expectativa do instituto é de uma queda de 0,4% no segundo semestre, na comparação com o mesmo período do ano passado. Na indústria de transformação, essa queda será ainda maior na previsão do instituto, chegando a 1,4% no segundo semestre.
Os impactos do racionamento, juros e desvalorização do real deverão levar a um crescimento acumulado de 2% da indústria do País em 2001, ante os 6,5% registrados no ano passado, de acordo com as projeções do Ipea.
As estimativas não são mais otimistas para os resultados da balança comercial. O instituto projeta um déficit de US$ 1,4 bilhão para a balança neste ano. No primeiro boletim conjuntural do ano, publicado em abril, a previsão era de déficit de US$ 500 milhões.
Levy disse que, apesar da projeção de déficit, estima que os resultados da balança comercial sejam melhores neste segundo semestre, ante os registrados nos seis primeiros meses do ano. Sua previsão é de que as exportações e as importações sejam reduzidas em função do racionamento de energia e da desaceleração da economia, mas as importações devem cair mais.
Para o Ipea, o dólar chegará ao final deste ano cotado em R$ 2,40 e deverá se manter estável neste patamar ao longo de 2002. No que diz respeito às taxas básicas de juros, a expectativa é que se mantenham em média de 19% neste terceiro trimestre e tenham redução de 0,5 ponto porcentual a cada trimestre, até o final de 2002.


