Economia cresce 6,1% no trimestre e 5,3% no ano
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quarta-feira, 01 de dezembro de 2004
Janaina Lage<br> Folhapress 
Rio de Janeiro A economia brasileira cresceu 6,1% no terceiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, segundo informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se do melhor resultado desde o terceiro trimestre de 1996. Nos nove primeiros meses deste ano, o Produto Interno Bruto (PIB) acumula expansão de 5,3% sobre o mesmo período de 2003.
O PIB é a soma das riquezas produzidas por um país. É formado pela indústria, agropecuária e serviços. O PIB mostra o comportamento de uma economia e também pode ser analisado a partir do consumo, ou seja, pelo ponto de vista de quem se apropriou do que foi produzido. Nesse caso, o PIB é dividido pelo consumo das famílias, pelo consumo do governo, pelos investimentos feitos pelo governo e empresas privadas e pelas exportações.
O resultado registrado no terceiro trimestre supera o do segundo trimestre, quando a economia registrou expansão de 5,7% na mesma base de comparação. Analistas ouvidos ouvidos pela reportagem esperavam uma alta entre 5,6% e 7% no terceiro trimestre deste ano.
Na comparação com o segundo trimestre, a economia cresceu 1%. Ou seja, menos que a expansão de 1,5% do segundo trimestre em relação ao primeiro. A desaceleração deve-se ao setor agropecuário, que amargou retração de 3,6% no terceiro trimestre. Na outra ponta, a indústria puxou o crescimento da economia, com expansão de 2,8%.
Resultados favoráveis - De forma geral, os bons resultados da economia brasileira refletem o desempenho favorável de indicadores como emprego, indústria e salários. Entretanto, alguns indicadores já começam a se tornar foco de preocupação, como a retomada da trajetória de alta dos juros.
A taxa básica já subiu 1,25 ponto percentual desde setembro e a expectativa de analistas continua a ser de novos aumentos. Crédito caro dificulta o chamado investimento na economia real e encarece os custos para o empresariado. Com isso, a criação de vagas diminui e o ciclo de expansão tende a reduzir-se.
Analistas, no entanto, ainda classificam a postura adotada pelo Banco Central como puramente cautelosa. Segundo Estevão Kopschit, economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o remédio adotado para conter a inflação ainda não foi suficiente para afetar a perspectiva de crescimento no ano. ''Só conseguiria isso se fizesse uma puxada muito grande na taxa de juros'', disse.
Se o remédio adotado pelo BC tem vindo em doses mais ou menos homeopáticas, a inflação tem sido controlada pela oferta de alimentos atípica deste ano. Os produtos agrícolas têm atuado como moderadores da inflação e mesmo em períodos de entressafra têm evitado que os indicadores de preços subam ainda mais.


