A economia brasileira cresceu 4,34% no primeiro semestre em relação ao mesmo período do ano passado, já descontados os fatores sazonais. No segundo trimestre, confrontado com os três primeiros meses do ano, foi registrada uma expansão de 3,29%. O nível de produção alcançado foi o mais alto da década de 90. As informações foram dadas ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ao divulgar os dados preliminares do Produto Interno Bruto (PIB) - soma do valor dos bens, mercadorias e serviços produzidos no País - do segundo trimestre. Em relação a 1980, o PIB já cresceu 49,79%.
Também houve crescimento (de 4,96%) no segundo trimestre ante o mesmo período de 1996. Desde o quarto trimestre de 96 a economia vinha mostrando queda na base de comparação trimestral.
No caso do trimestre em relação ao trimestre imediatamente anterior - que oferece comparações mais consistentes - quem mais cresceu, surpreendendo os técnicos, foi a indústria em geral, com 4,08%. Este desempenho, porém, não se deveu à indústria de transformação, cuja evolução foi de 3,89%, mas sim à indústria de construção (7,07%) e à extrativa mineral (6,37%). O setor de serviços teve expansão de 2,86%, com destaque para comércio (8,01%) e transportes (4,39%). A Agropecuária evoluiu 2,50%, com a pecuária mostrando 2,68% e lavouras, 2,33%.
O coordenador do PIB Trimestral do IBGE, Roberto Luís Olinto Ramos, vê o desempenho da construção mais positivo na medida em que as medidas que o governo para facilitar o financiamento à casa própria ainda nem maturaram. No segundo semestre, assinalou, a construção e a agricultura é que deverão ser os pilares do crescimento do PIB.
A análise dos dados divulgados ontem mostra que no segundo trimestre, em relação a igual período de 96, quase todos os subsetores da economia tiveram crescimento, notadamente na indústria extrativa mineral (10,28%), pecuária animal (8,57%), construção (8,71%), comércio (7,79%), transportes (7,27%) e indústria de transformação (6,52%). Os números mostram ainda que o crescimento acumulado nos quatro trimestres findos em junho foi de 5,12%, taxa superior à dos quatro trimestres findos em março (4,44%).
Tendência Apesar dos resultados positivos apresentados pelo PIB no segundo trimestre, segundo Olinto é impossível determinar agora se a trajetória da economia brasileira é a de aceleração de crescimento. ‘‘O PIB está se expandindo, mas os dados não permitem dizer se vai haver uma intensificação neste movimento, ou se entraremos em uma acomodação no desempenho da economia’’, explicou.
Conforme sua análise, a inadimplência cresceu muito, a renda dos assalariados está estável e aparentemente as pessoas chegaram ao seu limite de consumo, que somente poderia se elevar diante de um novo ganho, como o ocorrido no início do real. Por isso, mesmo, não há razões para esperar a continuidade do acelerado crescimento de consumo de bens duráveis, alerta.
Ele, que não quis fazer projeções sobre o comportamento do PIB este ano, admitiu que os números divulgados são compatíveis com a taxa esperada pelo governo, de cerca de 4% de expansão na economia. No primeiro trimestre, ao anunciar os dados preliminares do PIB nos três primeiros meses do ano, Olinto estimou que a economia poderia ter, em 97, um crescimento de somente 1,5%, o que levou a desmentidos por parte da equipe econômica do governo.

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