Rio - O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, a soma de todos os bens e serviços produzidos no País, cresceu 7,5% em 2010, o melhor resultado desde o plano Cruzado, igualando com 1986. Na esteira do crescimento nacional, a economia paranaense expandiu 8,3% no ano passado, melhor resultado desde 1993. Tanto lá como cá, porém, os números já não refletem o momento atual. Em termos nacionais, preocupa a desaceleração e a projeção média de crescimento para 2011 de ''modestos'' 4,3%. Aqui, o desempenho parece ter sido fruto de situações pontuais.
Em âmbito nacional, a desaceleração não atingiu o consumo das famílias, que foi surpreendentemente forte no último trimestre, crescendo 2,5%, ou 10,4% em termos anualizados, ante o terceiro trimestre. Para muitos analistas, isso é sinal de que a freada pode não ser suficiente para conter as pressões inflacionárias. ''O consumo indica que trazer essa demanda para baixo vai ser mais demorado do que se pensa'', comentou Gino Olivares, economista-chefe da Brookfield Gestão de Ativos.
Vindo na esteira do crescimento negativo do PIB de 0,6% em 2009, o ano de 2010 acumulou uma grande coleção de recordes na atual série das Contas Nacionais, iniciada em 1996: além do maior crescimento do PIB, registrou-se a maior expansão dos investimentos (21,8%), do consumo das famílias (7%), das importações (36,2%), da indústria como um todo (10,1%), da indústria extrativa-mineral (15,7%), da indústria da transformação (9,7%), da construção civil (11,6%), do comércio (10,7%), do item ''transporte, armazenagem e correios'' (8,9%) e até dos impostos (12,5%).
No Paraná, o crescimento de 8,3% foi a melhor performance desde 1993, quando o PIB cresceu 10% em razão da supersafra e das elevadas cotações dos produtos agrícolas nos mercados externos. À Agência Estadual de Notícias, o presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Gilmar Mendes Lourenço, advertiu, no entanto, que o expressivo desempenho não reflete uma situação de dinamismo da economia, mas pode, ao contrário, ''ser atribuído a elementos pontuais e transitórios, que podem sumir de forma tão instantânea como apareceram''. Entre esses fatores, ele cita a elevação dos preços das commodities no mercado internacional e o bom momento da indústria automobilística, favorecida por isenções fiscais concedidas pelo governo federal.
''O que importa examinar é a perda de dinamismo estrutural da economia regional'', afirma Lourenço. Para isso, continua, é preciso analisar um período mais longo. Entre 2003 e 2010, enquanto o PIB brasileiro cresceu em média 4% ao ano, o paranaense variou 3,7% ao ano, o que fez com que o peso do Estado na formação da renda interna nacional recuasse de 6,4% para 6%.
Além de fatores como a queda de produtividade do agronegócio (em razão principalmente de estiagens), essa redução estaria ligada à falta de um programa estratégico de desenvolvimento para o Estado nos últimos anos. A esperança de corrigir esta distorção de rota são as medidas que integram o programa ''Paraná Competitivo''. Mesmo assim, Lourenço adiantou que a taxa registrada em 2010 não deve se repetir este ano, por conta da elevação da taxa Selic e dos cortes orçamentários anunciados pelo Governo Federal.

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