Economia caminha a passos lentos, diz economista
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quarta-feira, 23 de abril de 1997
Carina Paccola 
Marcos BorgesEm marcha lentaPaulo Mallmann afirma que a economia está desaquecida e que o governo deve considerar esse comportamento antes de adotar medidas para mexer na balança comercialAfinal, a economia está ou não aquecida? Este foi o tema da palestra proferida ontem em Londrina pelo economista e diretor financeiro do Banco Industrial e Comercial (Bicbanco), Paulo Mallmann, que - para responder a pergunta - apresentou o resultado de uma pesquisa aplicada em 242 grandes empresas industriais e comerciais do País. A pesquisa teve como objetivo avaliar o desempenho da atividade industrial no Brasil no primeiro trimestre deste ano, comparando com o primeiro trimestre de 1996. Além de servir de orientação da política do banco e para os clientes, a pesquisa foi enviada ao governo federal.
Com base nesses dados, Mallmann mostra que 55,8% das empresas tiveram crescimento nas vendas abaixo de 10% ou simplesmente não cresceram no primeiro trimestre deste ano contra o mesmo período do ano anterior. Somente 17,9% das empresas tiveram aumento em mais de 20%, em termos nominais, de seu faturamento. Se considerarmos que a inflação média anual relativa ao primeiro trimestre deste ano foi em torno de 9%, crescer menos de 10% significa crescimento nulo, diz Mallmann.
Outro dado da pesquisa é sobre o nível de estoque das empresas: 34,9% terminaram o primeiro trimestre deste ano com níveis de estoques acima ou bem acima do esperado; 10,1% encerraram esse período com estoques abaixo ou bem abaixo do esperado. Ter estoque acima do esperado significa ter vendido menos do que se pensava, afirma.
Mallmann afirma que, mesmo levando em conta que o comportamento de baixas vendas no primeiro trimestre é sazonal, surge na economia o ciclo dos estoques - o varejo compra menos da indústria, que compra menos insumo - que se traduz em baixa produção para os próximos três ou quatro meses. O número de postos de trabalho na indústria deve cair ainda mais no País - indica Mallmann. Segundo ele, 21,6% das empresas consultadas projetam aumentar o número de empregos neste ano, enquanto 31,9% pretendem reduzir seu quadro de funcionários.
Com essas informações, Mallmann afirma que a economia está desaquecida e que o governo deve considerar esse comportamento antes de adotar medidas para mexer na balança comercial. O governo não deve fazer o rabo balançar o cachorro, ou seja, não deve mexer em toda a economia para sanear o déficit comercial, recomenda.
Entre as medidas possíveis, Mallmann cita que a mais óbvia e a menos provável é a mudança do câmbio. O governo pode ainda baixar a tarifa de importação ou estimular a exportação, numa conversa com os setores da economia. Para Mallmann, a posição mais sensata seria negociar com os setores para que baixem o volume de importação.
Mesmo com esse panorama, a avaliação de Mallmann é que a economia cresça em torno de 3% a 3,5% este ano. Ele ressalta que como os governos municipais, estaduais e federal estão praticamente sem recursos para investir, e não há perspectiva de aumento da massa salarial, só o que deve impulsionar o crescimento econômico são os investimentos das empresas. A demanda por bens de consumo deverá ser incrementada pelo bom desempenho da agricultura este ano, principalmente com a elevação dos preços da soja e do café - avalia.


